Marta vence queda-de-braço com empresas de ônibus

A Prefeitura de São Paulo venceu nesta quarta-feira à noite a queda-de-braço com o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de São Paulo (Transurb). Depois de uma semana de ameaças e contestações, os controladores das 42 viações dos oito consórcios responsáveis pelo transporte coletivo da cidade recuaram e assinaram o contrato de emergência de seis meses nos termos definidos pela administração municipal. "Nós conseguimos vencer a resistência dos empresários e isso foi uma grande vitória, porque conseguimos manter o sistema funcionando", disse o secretário dos Transportes, Carlos Zarattini.Com o recuo dos empresários, a partir desta quinta-feira as viações serão remuneradas principalmente com base no número de passageiros transportados e não mais pelo seu custo operacional, como defendia o Transurb.A assinatura dos contratos é uma vitória pessoal da prefeita Marta Suplicy (PT), que, desde a semana passada, vinha garantindo que não iria ceder nos termos da licitação de emergência. "Acho que vou comemorar hoje (quarta) com um vinho", afirmou um aliviado Zarattini em seu gabinete. De manhã ele tinha enfrentado tumulto na audiência pública realizada na Assembléia Legislativa.Os empresários tomaram a decisão de assinar os contratos no início da noite, em assembléia realizada no Transurb. Após a reunião, todos se dirigiram à sede da São Paulo Transporte (SPTrans) e, um após o outro, firmaram o novo acordo. Desde o dia 22, eles estavam trabalhando sem contrato. Ao receber a notícia, a prefeita, que estava em seu gabinete, desceu à assessoria de imprensa e gritou: "Ganhamos!"Até a tarde desta quarta-feira, os controladores das empresas de ônibus de São Paulo qualificavam de "impraticável" o modelo da nova licitação. Ele prevê que 70% da remuneração das viações será proporcional ao número de passageiros transportados e vincula os demais 30% aos custos operacionais do sistema. Pelo contrato anterior, cujos termos eram defendidos pelo Transurb, 65% da arrecadação dizia respeito ao custo operacional e 35% à quantidade de passageiros.Desde a semana passada, quando boicotaram a licitação, os empresários apresentaram algumas exigências para rever sua posição. Na prática, eles queriam um aumento imediato de R$ 8 milhões na receita, de 20% no número de passageiros - perdidos para os lotações - e a liberação de R$ 26,8 milhões em multas retidas na SPTrans, que gerencia o transporte na cidade. Não conseguiram nada.Com a assinatura dos contratos, a Prefeitura acredita que os empresários serão forçados a investir na frota e a buscar passageiros. "As empresas achavam que iria haver alguma forma de subsídio. Agora ficou claro que, se parar o serviço, quem vai perder é o empresário, que deixa de receber", disse Zarattini. "Espero que tenham uma postura mais responsável."Zarattini disse que desde a semana passada vinha conversando individualmente com os empresários para quebrar a resistência do Transurb. "A assinatura deste contrato foi fruto de um trabalho de convencimento e da posição firme da prefeita Marta Suplicy", afirmou. "Ninguém quer abandonar o mercado de passageiros de São Paulo. Se eles saírem, outros vão entrar no lugar."Até o início da tarde, apenas 8 das 42 empresas tinham rachado com o Transurb, as Viações Brasil Luxo, Via Norte, Nações Unidas, São Paulo, Oak Tree, Castro, Santa Brígida e Gato Preto - a direção desta última assinou dois contratos. Elas controlam 20% da frota de 9.393 ônibus de São Paulo e transportam cerca de 40% dos 3,7 milhões de passageiros que utilizam o sistema diariamente. As oito empresas operam nas zonas norte, noroeste e oeste, ou seja, estão ausentes das regiões mais populosas da cidade, a leste e a sul.Ainda assim, Zarattini garantia que o transporte coletivo não seria prejudicado. "Amanhã (quinta-feira) estaremos tomando decisões referentes às empresas que não assinaram. Tomaremos uma atitude para cada caso. Eventualmente, o trabalhador pode trabalhar em outra empresa se houver transferência de linha", disse. "É nosso dever colocar ordem na cidade. Os interesses são grandes, os recursos, milionários, e há uma disputa ensandecida por esses recursos."Enquanto Zarattini tentava aparentar calma, o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo, Edivaldo Santiago da Silva, ameaçava convocar uma greve geral nesta quinta-feira caso o secretário não explicasse "direitinho" que tipo de sanções adotaria contra as empresas. "Se ele solicitar a frota ou intervir, ou encampar, vai ter que explicar isso para os trabalhadores. Se não explicar, é greve."

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