WILTON JUNIOR/ESTADÃO
WILTON JUNIOR/ESTADÃO

Máscaras de Graça Foster começam a sair do forno

Fábrica recebeu 600 pedidos; advogado de Cerveró ameaçou processar empresa caso fizesse peças com imagem do ex-diretor 

O Estado de S. Paulo

06 de fevereiro de 2015 | 18h20

RIO - As primeiras máscaras de carnaval da ex-presidente da Petrobrás Graça Foster ficaram prontas nesta sexta-feira, 6. A dona da fábrica Condal, Olga Valles, disse que recebeu 600 pedidos, um número pequeno se comparado com as mais de 15 mil do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa vendidas no auge do processo do mensalão.

“Não acho que o pedido de demissão dela (Graça) vá fazer diferença e aumentar as vendas. Vamos ver. Mas não é isso que leva a fábrica à frente. Fazemos porque gostamos de retratar a atualidade através das máscaras. A Graça já entrou para a nossa galeria”, disse Olga. Mesmo que os pedidos aumentem, a Condal só terá capacidade de produzir 6 mil peças até o carnaval.


A dona da fábrica disse que a campeã de vendas é a máscara de King Kong. “Às vezes, um monstro parece muito mais bonzinho do que muitos políticos. No carnaval, tudo se mistura. Pessoas de diferentes classes sociais se juntam no bloco com a mesma finalidade: se divertir.”

A Condal existe desde 1958. Foi fundada pelo artista plástico Armando Valles, que morreu em 2007. “Com o fim da ditadura militar, ele começou a retratar a vida política. Era a paixão dele, que nos deixou essa herança”, disse a viúva, de 56 anos.

Olga foi procurada na semana passada por um advogado do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró, preso sob acusação de envolvimento em crimes investigados na operação Lava-Jato, da Polícia Federal. O objetivo era impedir a produção de máscaras de Cerveró. “Eles não gostaram da ideia. Deixaram claro que, se fizéssemos, teria processo. Então, não fizemos.”

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