Matador chegou a escolher vítima pela aparência

PM ficou famoso pelos carros que usava; ele era financiado por comerciantes da zona sul

, O Estadao de S.Paulo

15 Agosto 2009 | 00h00

Cabo Bruno amedrontou a periferia de São Paulo nos anos 1980. Ele foi acusado de chefiar um grupo de extermínio nos bairros de Cidade Ademar, Jardim Consórcio, Jardim Selma, Parelheiros e Pedreira - todos na zona sul da capital. Muitos fuzilamentos ocorreram em 1982 e a quantidade de corpos varados de balas, encontrados nas vastas áreas desabitadas dessa região na época, passaram a causar pânico. Em depoimento, depois negado, assumiu a autoria de mais de 50 mortes. Os crimes eram atribuídos a cabo Bruno ou simplesmente ao Matador. Seu método de execução era conhecido pelos moradores. O PM ficou famoso pelos carros que usava para sequestrar suas vítimas fatais: um Maverick, um Opala e um Chevette. As cores dos veículos eram constantemente mudadas para não levantar suspeitas, não deixar rastro. Seu Opala, por exemplo, foi amarelo, marrom, cinza e preto. Algumas das execuções, de acordo com depoimentos de testemunhas, teriam sido feitas com base apenas na aparência das vítimas, incluindo, supostamente, um rapaz morto por causa de uma pequena cruz que levava tatuada no pulso. Em março de 1982, agiu assim, sem motivo. Atacou dois rapazes, de 16 e 18 anos, que não puderam entrar em um circo por falta de dinheiro. O ingresso custava 150 cruzeiros, mas os jovens tinham 110. Cabo Bruno executou o menor com três tiros. José Aparecido Benedito, por exemplo, foi uma das vítimas sobreviventes das chacinas: depois de tomar um tiro, fingiu-se de morto e conseguiu escapar. Na polícia, havia rumores de que cabo Bruno matava por odiar marginais. Como justiceiro, contava com apoio de comerciantes da região que lhe pagavam por proteção. Preso em 1982, cabo Bruno ficou detido no Presídio Romão Gomes, da PM, de onde fugiu três vezes, em 1984, 1987 e 1990. Em 1991, ele foi preso novamente, converteu-se a uma religião evangélica e, desde então, não fugiu mais. Em 2002, foi transferido da capital para a Penitenciaria Dr. José Augusto César Salgado, a P2 , em Tremembé, onde está até hoje.

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