Matador demonstra frieza ao reconstituir crimes no RS

O biscateiro Adriano da Silva, de 25 anos, chocou os policiais pela frieza com que reconstituiu o assassinato do menino Douglas de Oliveira Haas, neste sábado, em Soledade, no norte do Rio Grande do Sul. Matador confesso de 12 crianças, ele não esboçou qualquer emoção nem mesmo para mostrar como usou um carrinho de mão para carregar o corpo por 300 metros de uma rua da cidade. Moradores que acompanhavam o trabalho dos policiais ameaçaram romper o cordão de isolamento e agredir Silva. Uma mulher conseguiu avançar sobre ele, mas foi contida por policiais militares. As outras duas reconstituições programadas para o final da tarde foram adiadas para este domingo e Silva foi levado para passar a noite num presídio de outra cidade da região. O diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais, João Paulo Martins, admitiu que as condições de segurança seriam reavaliadas durante a noite e pediu à população que permanecesse calma e deixasse a polícia trabalhar com tranqüilidade. O sumiço de Douglas, que tinha dez anos quando foi visto pela última vez, em 19 de abril do ano passado, era o mais misterioso dos quatro ocorridos em Soledade. O corpo só foi encontrado na quarta-feira desta semana, um dia depois de Silva confessar o crime e apontar o local onde havia enterrado o menino, sob a churrasqueira de uma casa que ajudou a construir como servente da construção civil.Na primeira reconstituição, feita de manhã, Silva reafirmou ter agido sozinho ao matar João Marcos Godois, de 12 anos, em maio do ano passado. Disse ter atraído o garoto com uma promessa de trabalho. Também demonstrou como aplicou um golpe de artes marciais e como usou uma corda para imobilizar e matar sua vítima, método utilizado em todos os crimes. "Alguns detalhes coincidem com os laudos que temos, outros não", comparou Martins. Isso indica que a dúvida sobre a autoria do crime permanece e só poderá ser esclarecida com o cruzamento de informações e novas investigações. O assassinato de João Marcos também foi assumido por dois traficantes e duas menores, já detidos, que apontaram o mesmo local e deram a mesma descrição do ato apresentada agora por Silva. Para o caso de Douglas não havia confissões.Neste domingo serão reconstituídas as mortes de Cassiano da Rosa, de nove anos, desaparecido em 28 de março, e Jéferson Cristiano Garcia, de 12 anos, visto pela última vez em 31 de março. O inquérito policial feito antes da confissão de Silva indiciava o mesmo grupo tido como autor da morte de João Marcos. Durante os próximos dias, Silva seguirá descrevendo os assassinatos que diz ter cometido.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.