Matadores de milionário da Mega-Sena pegam 18 anos

Ex-seguranças de René Senna foram condenados por homicídio triplamente qualificado

Clarissa Thomé, RIO, O Estadao de S.Paulo

10 Julho 2009 | 00h00

Os dois ex-seguranças do milionário René Senna, morto em janeiro de 2007, foram condenados por quatro votos a três a 18 anos de prisão pelo assassinato do ex-patrão. A decisão do Tribunal do Júri de Rio Bonito, no Grande Rio, ocorreu após três dias de julgamento. O ex-policial militar Anderson Sousa e o funcionário público Ednei Gonçalves foram condenados por homicídio triplamente qualificado - motivo torpe, mediante pagamento e sem chance de defesa da vítima, que não tinha as duas pernas, amputadas em decorrência de diabetes. A defesa recorreu. Depois de a juíza Roberta Braga Costa anunciar a condenação, Sousa chamou o júri de "tribunal de exceção". "Não fomos absolvidos pelo júri, mas a absolvição maior é a do Senhor. Eu não matei René Senna." Durante o julgamento, a promotora Priscila Naegele Vaz disse que o crime foi "cometido pelos dois réus a mando da viúva, Adriana Ferreira Almeida". "Por trás deste crime havia uma grande trama orquestrada pelos seguranças de René demitidos, que planejavam sequestrar a filha de Adriana", disse a promotora. Segundo ela, o milionário demitiu os réus depois que um funcionário conhecido como David o avisou que havia um plano para sequestrar a criança. David apareceu morto na Ilha do Governador, pouco após a denúncia. A promotora afirmou que Sousa chefiava uma milícia e apresentou folhetos apreendidos na casa do ex-PM, nos quais oferece "segurança particular" a moradores da Ilha por R$ 30. De acordo com a promotora, Sousa atirou no milionário, quando estava na garupa de uma moto pilotada por Gonçalves. Ambos negaram participação no crime e disseram ter sido extorquidos por policiais da Delegacia de Homicídios - deveriam pagar até R$ 2 milhões para ter os nomes excluídos do inquérito. As acusações foram negadas em juízo por policiais que participaram das investigações. Ainda não há data para o julgamento de Adriana e outros três acusados. René Senna era lavrador. Ao ter as pernas amputadas, passou a vender balas. Em 2005, ganhou R$ 51,8 milhões com um único bilhete da Mega-Sena. FRASES Priscila Naegele Vaz Promotora "Por trás deste crime havia uma grande trama dos seguranças demitidos, que planejavam sequestrar a filha de Adriana" Anderson Sousa Condenado "Eu não matei René Senna"

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