Matadores de vereador são presos

Os autores e o mandante da emboscada que resultou na morte do vereador Carlos Aparecido da Silva (PSDB) e ferimentos que causaram paraplegia no presidente da Câmara de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, Júlio Cesar Calegari (PFL), foram identificados e presos, mas os nomes deles só serão divulgados nos próximos dias pela equipe especial do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa Humana (DHPP) de São Paulo, que comandou as investigações. A Agência Estado apurou que o crime, ocorrido em maio, foi encomendado por um empresário do setor de transporte urbano, que teria sido preterido nas concessões das linhas municipais. Os executores são policiais militares, entre eles um tenente que teria ligações de parentesco com o mandante do atentado. Segundo fontes da polícia, o crime tem ligações com o assassinato do empresário Américo Grilo Nogueira, de 49 anos, dono da empresa de ônibus Lago Azul, morto a tiros, também por três policiais militares, em agosto de 2001. Os três assassinos - os policiais militares Alfredo Epaminondas Martins, Milton Rodrigues Brizola e o motorista Genilson Cordeiro da Fonseca - foram presos um dia depois do crime e apontaram como mandantes a empresária Angélica Seleguim e seu marido, o também policial militar Daniel Lagui, que desde então se encontram foragidos. Angélica teria articulado o crime por vingança, depois do assassinato de seu irmão, José Giáccomo Seleguim, que comandava a Viação Francorrochense. Segundo os pistoleiros, ela acreditava que o mandante da morte de seu irmão fora Nogueira, dono da empresa de ônibus concorrente. Ela prometera matar Nogueira e dois vereadores. Em maio, Angélica teria planejado o assassinato do então presidente da Câmara, Carlos da Silva (PFL), que escapou da emboscada. Um mês depois, o vereador Célio Alves de Souza (PTB) também sobreviveu a um atentado à bomba. A Viação Lago Azul, comandada por Nogueira, manteve por quase dez anos um contrato de concessão com a prefeitura para explorar o transporte coletivo na cidade. Meses antes do atentado, o contrato foi rompido e Viação Francorrochense foi contratada em caráter emergencial. Novas regulamentações dos contratos estavam em discussão na Câmara quando a onda de atentados e assassinatos começou.

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