Matam os pais, e a maioria não mostra remorso

Eles matam os pais, mas a maioria não demonstra remorso pelo que fez. Alguns tentam negar ou justificar-se. Roberto Peukert Valente disse que atirou nos pais e em três irmãos como se disparasse em "sacos de batatas". Ele tinha 18 anos. Gustavo Pissardo tinha 22 anos quando teve o acesso de fúria que custou a vida dos pais, avós e uma irmã.A estudante Andreia Gomes Pereira do Amaral e o comerciante Constantino Cheretis, ambos com 20 anos, mataram, segundo a Justiça, para ficar com a herança e para se livrar de um incômodo: os pais.Carlos Fabiano Faccion, de 25, fez isso porque se opunham ao seu casamento. As vítimas foram pegas de surpresa, e os motivos eram fúteis.Esse é um crime ao qual a sociedade dedica uma repulsa antiga. O historiador Tito Lívio conta que matar os pais era considerado pelos romanos o mais grave delito comum que alguém podia cometer.Os culpados eram atirados da Rocha Tarpéia, a mais escarpada face da Colina do Capitólio. Peukert levou uma bronca da mãe em 1985. A música que ele ouvia de madrugada estava alta. Esperou um pouco, apanhou uma arma e atirou na mãe, no pai e nos irmãos de 18, 17 e 8 anos. Como os pais ainda agonizavam, resolveu esfaqueá-los, pois "estava determinado a matar".Pissardo cometeu seu crime em 1994 em São José dos Campos e Campinas. Confessou após o enterro dos parentes. Andréia matou em 1994 o pai, um comerciante, e a mãe no apartamento triplex onde moravam, em Santos. Para tanto, usou o namorado, o adolescente D., de 17 anos.Cheretis foi condenado por matar os pais, Emanuel e Letaxia, com 21 facadas em 1993, no Brás, centro de São Paulo. Carlos Fabiano matou neste ano os pais, Carlos Alberto, de 52 anos, e Maria Aparecida, de 46, e três parentes em Batatais, no interior paulista. No fim, todos acabaram presos.Acompanhe toda a história nos links abaixo. » Quinta, 31/10: Casal é assassinado no Campo Belo » Para vizinhos, casal era "simpático e reservado" » Sexta, 1/11: Policiais investigam namorado e filha do casal » Segunda, 4/11: Filha do casal depõe pela segunda vez » Terça, 5/11: Polícia volta à mansão do casal assassinado » Quarta, 6/11: Para Polícia, casal foi assassinado por vingança » Quinta, 7/11: Preso o irmão do namorado da filha » Sexta, 8/11: Pedida prisão de suspeito de matar o casal» A Polícia conclui: Suzane, a filha, tramou o assassinato»Assassinos do casal têm prisão provisória decretada» Polícia encontra material furtado da mansão do casal

Agencia Estado,

08 de novembro de 2002 | 21h52

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