"Matança no Urso Branco alertou autoridades"

Enquanto o Instituto Médico-Legal (IML) ainda tentava liberar os corpos dos 27 detentos mortos em uma rebelião ocorrida nesta quarta-feira no Presídio Urso Branco, em Porto Velho, um grupo de detentos ameaçava, no fim da tarde desta quinta, iniciar nova chacina.Eles exigiam uma reunião na quadra de esportes com o juiz Arlen José da Silva de Souza para apresentar suas reivindicações. A principal delas, segundo o arcebispo d. Moacyr Grechi, seria a remoção dos líderes da matança.O IML terminou, às 5h40 desta quinta, o trabalho de identificação dos mortos ? entre eles o homicida Gilson Ferreira de Souza, que teve a cabeça decepada e encontrada sem o restante do corpo no pátio do pavilhão de segurança máxima.Até as 8h30, 20 corpos tinham sido liberados para velório. Em um deles, os peritos contaram 63 perfurações. Uma lista parcial havia sido divulgada nesta quinta pelo vice-governador Miguel de Souza, que nomeou os delegados José Gentil e Alessandra Paraguaçu, da Delegacia Especializada de Crimes Contra a Vida, para investigar a matança. A polícia concluiu que as mortes foram resultados de brigas entre grupos rivais.?Eles estavam jurados de morte?, disse o arcebispo, que, nesta quinta, disse que o número de mortos chegava a 45. A tragédia serviu para o governo acelerar a construção de presídios de segurança máxima em duas cidades.?Antes não havia dinheiro para reformar o Urso Branco, mas a matança serviu para alertar as autoridades?, comentou o gerente do sistema prisional Rogério Lucena.A secretária nacional de Justiça, Elizabeth Süssekind, e o diretor do Departamento Penitenciário Nacional, Ângelo Roncalli, devem vir nesta sexta a Porto Velho, para avaliar a situação no Urso Branco.O Ministério da Justiça vai propor à Secretaria de Segurança Pública do Estado a formação de uma comissão de entidades ligadas a direitos humanos para assumir ou, pelo menos, participar da direção do presídio.Essa comissão será integrada por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Pastoral Carcerária vinculada à Igreja Católica e por uma associação local de mães de presidiários. ?É um absurdo que presos tenham acesso a armas e com isso tenham condições de se matar?, disse a secretária Elizabeth Süssekind, em Brasília.A responsabilidade pela segurança e guarda dos presos é do Estado. No dia 28, o governo federal liberou recursos para a construção de duas novas unidades prisionais em Rondônia. Nesta sexta-feira, o ministério vai solicitar à Procuradoria-Geral do Estado dispensa do processo de licitação na construção dos novos presídios, para acelerar as obras.O Ministério da Justiça liberou R$ 1,8 milhão para a construção da Penitenciária de Porto Velho, que poderá abrir 360 novas vagas, e mais R$ 1,4 milhão para as obras de um presídio no município de Rolim Moura, para onde seriam levados 120 internos.Em Sertãozinho, no interior de São Paulo, presos rebelados na cadeia municipal fizeram dois carcereiros reféns, desde às 16 horas desta quinta. Segundo a Polícia Militar, os funcionários foram dominados quando os presos retornavam às celas após o banho de sol.Eles exigiam, além de um telefone celular, a presença de um juiz e da imprensa para negociar a liberação dos reféns e o fim da rebelião. Segundo a PM, a cadeia, que tem capacidade para 25 detentos, abriga hoje mais de 70 presos.

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