Matarazzo mandou ir ''''para cima'''' de shopping de Law

Ordem para blitz partiu de secretário, mas foi Kassab quem articulou apoio da PF

Bruno Tavares e Alexssander Soares, O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2007 | 00h00

A ofensiva da Prefeitura contra Law Kin Chong foi articulada na noite de terça-feira pelo secretário de Habitação, Orlando Almeida, e pelo subprefeito da Mooca, Eduardo Odloak. A ordem para o "ataque" partiu do secretário das subprefeituras, Andrea Matarazzo, homem forte do prefeito Gilberto Kassab (DEM). "Não podemos admitir isso (a construção de um shopping popular capitaneada por Law). Vamos para cima", ordenou Matarazzo. A intenção do Executivo era encontrar subsídios para embargar a obra, antes que Law reunisse a documentação necessária para requerer o Habite-se (autorização de ocupação do imóvel).O Estado apurou que foi o prefeito quem se encarregou de pedir o apoio da Polícia Federal, após ser informado sobre a apreensão de mercadorias contrabandeadas. Matarazzo admitiu que a ação foi motivada pelos antecedentes do empresário chinês. "Nós partimos do princípio de que a empresa que estava construindo era séria, mas ao tomarmos conhecimento da participação dele (Law) resolvemos fiscalizar com lupa."O primeiro passo da força-tarefa foi examinar as plantas do prédio adquirido em 2004 pelas empresas Calinda e TR, ambas financiadas por Law. A análise inicial frustrou técnicos da Prefeitura: as únicas irregularidades importantes em relação ao projeto original eram a construção de três elevadores e uma sutil diferença na arquitetura dos boxes, além de falta de alvarás e de vistoria dos bombeiros. O maior trunfo da Prefeitura era a falta do estudo de impacto no trânsito da região shopping, no Pari. O projeto previa movimento diário de 400 ônibus fretados, mas não especificava quais mudanças deveriam ser feitas no sistema viário para absorver o tráfego. "Embora o empreendimento não fosse obrigado a fornecer esses detalhes antes de pedir o Habite-se, nossa idéia era usar isso contra ele (Law) por ser um problema difícil de resolver rapidamente", disse um funcionário do Executivo.Só após a apreensão de mercadorias falsificadas no interior do shopping é que os assessores de Kassab puderam respirar aliviados. "Era a comprovação de que precisávamos para conseguir fechar de vez o lugar", disse um deles.

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