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Maternidade São Paulo deve fechar as portas até dezembro

Uma das últimas esperanças da Maternidade São Paulo para sair da grave crise financeira caiupor terra nesta terça-feira. A proposta de compra de parte do terreno aguardada há mais de um mês não foi feita, e a direção do hospital anunciou que, a partir do dia 30, o hospital nãoaceitará novas internações. Isso significa que, até o dia 10 de dezembro, a maternidade estará fechada.O diretor técnico do hospital, Luiz Antônio Pardo, diz que a única forma de essa medida ser evitada seria o socorro do governo. "Fizemos propostas tanto para a Secretaria Estadualquanto para a Secretaria Municipal de Saúde. Nada ficou resolvido", disse.Fundada em 1894 e durante anos considerada referência na América Latina, a Maternidade São Paulo tem uma dívida trabalhista que ultrapassa os R$ 20 milhões. Por causa das dívidas de curto prazo, todo dinheiro recebido atualmente pelainstituição é bloqueado para pagar credores.Não bastassem as dívidas, a maternidade não consegue reunir mais do que 20 pacientes em seus apartamentos. Isso ocorre por duas razões. Olimite estabelecido pelo Sistema Único de Saúde não ultrapassa 15 pacientes por mês, e há um número inexpressivo de pacientes de convênios médicos.A pouca procura da maternidade por pacientes deconvênios é explicada pela falta de UTI de adultos. "Nenhum médico dá preferência ao nosso hospital porque, se houver uma complicação, o paciente tem de ser transferido de ambulânciapara outro hospital", diz Pardo.Na proposta feita pela maternidade à SecretariaMunicipal de Saúde, Pardo afirma que R$ 3 milhões, divididos ao longo de meses, seriam suficientes para "colocar a maternidadenos trilhos." Essa expectativa, porém, não será atendida pela Secretaria."Tínhamos interesse em ajudar, com a formação deconvênios", afirma o assistente técnico da coordenação hospitalar da secretaria municipal, Rubens Kon. Mas o fato de a maternidade estar em débito com a Previdência Social impedequalquer tipo de contrato. "É uma questão legal, burocrática, mas não há alternativa para nós", disse Kon.A Secretaria de Estado da Saúde informou, pormeio de sua assessoria de imprensa, que há cerca de um mês estuda firmar um convênio com o hospital. A proposta é usar parte da hotelaria e o corpo de enfermagem da maternidade paraatender pacientes do Hospital Pérola Bygton.De acordo com a assessoria, a princípio seriam 30 leitos, usados para fazer cirurgias de câncer de mama. O uso de leitos para maternidadeestá descartado, pois a rede estadual de saúde tem um númerosuficiente de leitos para parto na região."O hospital funcionou até agora por causa dosfuncionários. Eles não têm para onde ir", afirma o médico. Há 15 meses recebendo 50% do pagamento, os 160 empregados têm poucas perspectivas e nenhum incentivo para trabalhar."Administramos 160 dramas pessoais, 160 pessoas que têm contas atrasadas, que quando vêm trabalhar perguntam quando o salárioserá pago. Mas agora não há mais o que fazer", afirma Pardo.Instalada em um prédio de 10 andares e com capacidade de 270 leitos, a maternidade nesta terça-feira contava com sete pacientesinternados. Um número insignificante diante dos 3 mil partos mensais que a maternidade chegava a fazer.

Agencia Estado,

19 de novembro de 2002 | 21h10

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