Mato Grosso pede força-tarefa para combater crime organizado

Depois do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, hoje foi a vez de o Mato Grosso pedir ao Ministério da Justiça a formação de uma força-tarefa federal para combater o crime organizado no Estado. O governador do Mato Grosso, Rogério Salles (PSDB), solicitou ao ministro da Justiça, Paulo de Tarso Ribeiro, ajuda para investigar os assassinatos do empresário Sávio Brandão, dono do jornal Folha do Estado, e de outras sete pessoas.Para o governador, todos esses crimes têm conexão. "Não temos provas, mas evidências de que os crimes se relacionam entre si", afirmou Rogério Salles. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Rubens Aprobatto Machado, em audiência com o ministro, enfatizou que a situação no Estado "está beirando ao descontrole". "É necessária a participação efetiva do governo federal", defendeu.Segundo a assessoria do Ministério da Justiça, o ministro apóia qualquer tipo de ajuda ao Estado, diante da gravidade dos casos informados. Ribeiro recomendou à sua equipe que, em parceria com autoridades locais, defina, num curto prazo, a estratégia ideal de ação. Talvez ao invés de força-tarefa, como pediu o governador, melhor seja o envio de uma missão especial, copiando o modelo da que foi escalada para o Espírito Santo para desenvolver ações de inteligência. Na conversa com o ministro, o governador afirmou que somente com auxílio de "gente de fora e muita discrição será possível pegar a bandidagem no Estado". Nos relatos que fez ao ministro, o governador revelou que quadrilhas obrigam fazendeiros a vender suas terras sob ameaça de saques e de morte. Segundo Salles, também há corrupção policial no Estado.O governador lembrou que a última vítima foi Sávio Brandão, que em seu jornal vivia denunciando o crime organizado, bicheiros e donos de máquinas caça-níqueis. As outras vítimas eram empresários e ex-policiais militares, todos executados com "as mesmas características", informou o governador. "A sociedade inteira se sente ameaçada", afirmou.Rogério Salles pediu ao ministro um reforço da Polícia Federal, principalmente no Norte do Estado, na faixa de fronteira com a Bolívia, que faz parte da rota do narcotráfico. "Temos 725 quilômetros de linha seca com a Bolívia."Para o procurador-geral da Justiça do Mato Grosso, Guiomar Teodoro Borges, "chega a ser constrangedor" ter de buscar ajuda do governo federal para combater o crime organizado no Estado. Mas, segundo ele, não havia outra saída, já que as "forças locais são insuficientes e impotentes" ante a organização dos criminosos. O procurador informa que pessoas do próprio aparelho policial foram cooptadas por alguma vertente ilícita. Na próxima semana, o governo estadual pretende institucionalizar o Grupo de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público, já em operação, com o envio de um projeto de lei à Assembléia Legislativa. Nesse grupo, promotores de Justiça irão trabalhar junto com as polícias civil e militar.

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