''Me afastei da gestão da empresa há 13 anos''

ENTREVISTA

João Bosco Rabello / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2011 | 00h00

Eunício Oliveira: senador (PMDB-CE)

O senador Eunício de Oliveira (PMDB-CE) disse ao Estado que não tem responsabilidade pelas ações comerciais da Manchester, a empresa suspeita de fraudar uma licitação de R$ 300 milhões da Petrobrás.

Acionista da empresa, ele exibe uma alteração contratual de abril de 1998 em que a gestão e administração financeira da Manchester Serviços Gerais Ltda. passa à exclusiva responsabilidade de seu sócio, Nelson Ribeiro Neves.

Embora não possa ter seu nome desvinculado da empresa, Eunício considera indevido associá-lo a práticas como as denunciadas pela reportagem do Estado, por ter se afastado da gestão há 13 anos. "Se alguém usou meu nome o fez indevidamente. Jamais tomei conhecimento do que passa na empresa, não conheço os personagens citados nas reportagens e nem sequer sei onde fica essa empresa que denuncia a Manchester", diz.

Para ele, não obstante a consistência das denúncias, tudo não passa de uma "guerra comercial" em que seu nome é usado para configurar quadro de favorecimento político e produzir a suspensão da licitação.

O senhor não desmente as denúncias, mas se diz injustiçado pelo noticiário, por mencioná-lo como parte delas. Mas o vínculo não é inevitável, sendo o proprietário da Manchester?

Sou acionista, assim como tenho ações do Banco do Brasil. Me afastei da gestão há 13 anos e o documento de alteração contratual deixa claro que a responsabilidade pela gestão, desde 1998, é exclusivamente de meu sócio Nelson Ribeiro Neves. Mas as manchetes saem dizendo que eu fraudei licitações. Eu não acompanho esse processo, não conheço nenhum dos personagens.

Mas seu nome foi mencionado pelo representante da Manchester na reunião com a Seebla, segundo afirma a empresa.

Se foi, que responda por isso quem usou. Qualquer pessoa pode usar o nome de outra, mas daí a ser verdade é completamente diferente. Eu estou tão distante do que se passa lá que até cheguei a tentar, anos atrás, vender minha parte na empresa. A negociação na época não deu certo.

O sr. não considera inadequado que a empresa de um parlamentar, no exercício do mandato, tenha contratos com o governo?

Pode até ser, eu respeito a posição do jornal em relação a isso. Por isso mesmo me afastei da gestão da empresa. E não foi ontem, nem anteontem, foi há 13 anos. Fui aconselhado a tomar essa atitude preventiva exatamente para não passar pelo que estou passando agora. Minha preocupação não é jurídica, aí estou coberto. É moral, porque estou sendo acusado pelo que absolutamente não fiz.

Segundo a Seebla, a Petrobrás foi notificada em maio sobre o assédio da Manchester para combinar os preços da licitação, informada da relação de concorrentes e nada fez.

Insisto que não tenho nenhum conhecimento dessa licitação. Nada. Mas isso me parece uma guerra comercial. Me usar pode dar aparente legitimidade a uma tese de politização da disputa, da qual, repito, não tenho o mais ínfimo conhecimento.

Mas não parece estranho o acionista desconhecer licitação de tal porte?

Eu não acompanho o dia a dia da empresa. Até poderia saber, mas não sabia e mesmo assim estamos falando de uma operação interna, de ações comerciais episódicas.

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