Média dá 4,4 pontos de frente para Serra

Pesquisas mostram tucano na faixa de 33% a 35% e, na média, Dilma tem hoje 30,5%

José Roberto de Toledo, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2010 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

Com as pesquisas cada vez mais divergentes, a média das intenções de voto torna-se um instrumento ainda mais valioso para analisar a sucessão presidencial. Incluindo-se a recente sondagem do Datafolha, José Serra (PSDB) segue à frente de Dilma Rousseff (PT), agora com 4,4 pontos de vantagem. Na média anterior, a diferença era de 4,1 pontos.

A média móvel revela tendências mais suaves e permanentes, aplainando vales e picos. Comparando-se o gráfico das pesquisas ponto a ponto com o da média móvel, o que se parece com um jacaré abrindo a boca se transforma em uma garrafa com um gargalo afunilado e comprido.

Observando-se as curvas dos candidatos, nota-se que Serra está consolidado no patamar entre 33% e 35% das intenções de voto estimuladas desde o final de janeiro, sem sofrer alterações significativas. Tem sido o suficiente para lhe assegurar a liderança da corrida eleitoral. O tucano tem hoje, na média, 34,9%.

Dilma vem se aproximando desde o ano passado. Teve uma ascensão mais rápida entre setembro de 2009 e janeiro de 2010. Desde então, quando ultrapassou o patamar dos 25%, o ritmo de crescimento diminuiu, mas nunca parou. A petista tem hoje, em média, 30,5%, que é a média histórica de presidenciáveis do PT nesta época da corrida eleitoral.

Na primeira fase, a petista cresceu convertendo eleitores de Serra, de Ciro Gomes (PSB) e que não tinham candidato. Parte dessa fonte secou depois que a maior parte dos eleitores que davam nota 9 ou 10 ao governo Lula descobriu que Dilma é a candidata do presidente e trocaram Serra por ela.

Tendo que conquistar eleitores menos interessados no processo eleitoral e ir além dos simpatizantes do PT, a intensidade do crescimento de Dilma diminuiu. Ao mesmo tempo, ela deixou o governo e reduziram-se suas atividades públicas ao lado de Lula. Menor exposição juntos implica menor identificação de Dilma como proxy eleitoral de Lula. Ou seja, ela não consegue se beneficiar da alta aprovação do governo como gostaria.

O outro terço do eleitorado é dividido entre Ciro Gomes, Marina Silva (PV) e os eleitores que pretendem votar em branco, anular o voto ou que estão indecisos. Esse grupo está diminuindo lentamente, seja porque a candidatura de Ciro está perdendo força, seja porque está caindo o porcentual de eleitores sem candidato (soma dos que anulam, votam em branco ou não sabem responder).

Novo cenário. Ciro pode ser o próximo fato novo da eleição. Ele está cada vez mais dependente dos votos do eleitorado do Nordeste, justamente onde o PT e Lula mais têm investido para associar a imagem do presidente à de Dilma.

Se o pré-candidato do PSB sair da disputa, haverá uma reacomodação de seus eleitores. Se ela ocorresse hoje, Serra seria o maior beneficiado. Mas isso vai depender da atitude de Ciro numa eventual desistência: se ele declarar voto em Dilma e for para seu palanque, talvez revertesse mais eleitores em favor da petista.

Marina Silva, por sua vez, pode também sair do marasmo em que vinha até agora nas pesquisas. Sua campanha, pobre de recursos, tem se concentrado no seu eleitorado cativo, e acrescentado poucos novos eleitores. Mas, à medida que se torna mais conhecida de outros grupos, talvez consiga romper a barreira dos 10% de intenção de voto.

Esse é o quadro da pré-campanha, que talvez se estenda por mais algumas semanas. Após a Copa do Mundo e as convenções partidárias, a campanha começa para valer. Aí, mais eleitores se interessarão em comparar os candidatos, em analisar seus perfis e em descobrir quem é o candidato de Lula, por exemplo.

Logo em seguida, em meados de agosto, começa o horário eleitoral. Será a reta de chegada da campanha, e só então as tendências vão se definir.

PARA ENTENDER

Método é muito usado nos EUA e na Europa

A média móvel das pesquisas eleitorais é uma técnica usada há anos nos Estados Unidos e na Europa para detectar tendências mais permanentes do eleitorado. Foi muito usada na campanha que elegeu Barack Obama presidente norte-americano, nas últimas eleições.

A vantagem da média das pesquisas é eliminar as oscilações bruscas dos porcentuais entre os institutos. No caso da média calculada pelo Estado levam-se em conta a intenção de voto estimulada - quando o instituto mostra aos eleitores entrevistados o cartão com opções de nomes - de todos os candidatos nas três últimas pesquisas publicadas.

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