Média de atraso em vôo chega a 71 min

Pesquisa feita nos últimos dois meses com 104.215 vôos domésticos mostra que 55,6% deles atrasaram

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2008 | 00h00

Nem a substituição de toda a cúpula do setor aéreo ou mesmo os alardeados investimentos previstos no PAC foram capazes de reverter a falta de pontualidade da aviação brasileira. Um ano e quatro meses depois do acidente com o Boeing da Gol, marco inicial da crise aérea, passageiros ainda são obrigados a aturar atrasos médios de 1 hora e 11 minutos. O dado foi extraído de um estudo inédito feito pela consultoria Visagio, que monitorou durante 24 horas por dia 104.215 vôos domésticos realizados entre 19 de novembro e 16 de janeiro.A pesquisa revela que, nesse período de aparente calmaria, só 44,4% dos vôos partiram ou chegaram nos horários programados. Na Inglaterra, que há três anos enfrentou uma das piores crises aéreas de sua história, esse índice chegou a 35%.A TAM teve o melhor desempenho entre as oito empresas analisadas pelo estudo - e, ainda assim, registrou 44% de atrasos. A Gol foi a campeã de atrasos, com 60%. A média geral foi de 55,6%.A Visagio fez o acompanhamento dos pousos e decolagens a partir do site da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), estatal que administra a maioria dos aeroportos. Mas, ao contrário da Infraero, que desde o início da crise aérea só contabiliza os atrasos superiores a 1 hora, a pesquisa incluiu em seu relatório todos os vôos que chegaram ou partiram 15 minutos depois do horário previsto."Resolvemos adotar 15 minutos por ser o padrão mundial", diz o pesquisador Rodrigo Lang, um dos autores da pesquisa. "Embora as empresas tenham diferentes perfis e focos de negócios, concluímos que todas elas abriram mão da qualidade do serviço em prol do lucro."São Paulo e seus dois maiores aeroportos - Cumbica, em Guarulhos, e Congonhas, na zona sul da capital - estão no centro de boa parte dos atrasos e cancelamentos. A rota Salvador-Cumbica foi a que mais sofreu com atrasos no período analisado: 61%. Logo depois vem Cumbica-Salvador (54%), seguido por Brasília-Congonhas (48%), uma das principais rotas de negócios do País.O porcentual médio de atrasos na ponte aérea foi de 30% entre Congonhas e o Santos Dumont e de 36% entre o Santos Dumont e Congonhas. Em compensação, as rotas figuram em segundo lugar no ranking de cancelamentos, atrás apenas de Curitiba-Congonhas e Congonhas-Curitiba, que tiveram 11%. Os números são reflexo de uma prática usual das companhias: a reserva de mercado. "Como vôos da ponte aérea saem a cada 15 minutos, empresas têm o hábito de consolidar dois vôos em um só para reduzir custos e tapar algum buraco em suas malhas", diz Lang.O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) alega descompasso entre os horários das autorizações de vôo (hotrans) usadas no site da Infraero, feitas com base em médias históricas, e o atual tempo médio das viagens, o que teria distorcido as medições.

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