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Mediadora do AfroReggae é sequestrada e morta no Rio de Janeiro

Polícia trabalha com hipótese de vingança, já que nada foi roubado e a vítima foi levada da porta de casa

Fábio Grellet, O Estado de S.Paulo

11 Novembro 2011 | 20h16

RIO - Uma mediadora de conflitos do grupo cultural carioca AfroReggae, Tânia Cristina Moreira, de 44 anos, foi sequestrada na quinta-feira à noite em sua casa, no bairro de Vigário Geral, na zona norte do Rio, e encontrada morta com um tiro na cabeça, na tarde desta sexta-feira, 11, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

O AfroReggae é uma organização não-governamental criada na favela de Vigário Geral em 1993 que oferece projetos sociais. A entidade mantém um grupo com cerca de 20 pessoas responsáveis por intermediar conflitos e conversar com criminosos para tentar evitar confrontos entre facções e convencê-los a abandonar a rotina ilegal.

Tânia desempenhava essa função havia sete anos. Ela era casada e seu marido também trabalha no AfroReggae. O casal tem uma filha de um ano. Por conta de um relacionamento anterior, Tânia também é mãe de uma mulher de 23 anos e um rapaz de 22, que está preso em Bangu, na zona oeste do Rio, por envolvimento com tráfico de drogas.

Segundo integrantes do AfroReggae, Tânia estava em casa, a poucos metros da sede da ONG, acompanhada pela mãe e por uma amiga, quando dois ou três homens chegaram em um Gol branco, invadiram o imóvel, renderam o trio e fugiram levando a funcionária do AfroReggae. O marido dela estava trabalhando na sede da ONG. O sequestro ocorreu por volta das 21h.

O corpo foi encontrado ontem à tarde, abandonado em um matagal no bairro Campos Elísios, em Caxias, com uma perfuração na cabeça. Tânia foi levada para o Instituto Médico Legal de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde foi reconhecido pelo coordenador do AfroReggae, José Júnior. Responsáveis pela entidade não acreditam que a morte tenha algo a ver com o trabalho dela. Nesta noite não havia previsão sobre a data do enterro da mediadora.

Como nenhum objeto foi roubado, a polícia acredita que não se trata de latrocínio (roubo seguido de morte), mas sim de vingança, que pode ser relacionada com algum dos casos mediados pela funcionária. Veículos de policiais civis foram vistos nas imediações da casa da mulher na noite do crime. O caso está sendo investigado pela 38ª DP (Brás de Pina) e pela Divisão Anti-Sequestro (DAS), mas por enquanto nenhum suspeito foi identificado.

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