Medicina da USP vai ocupar casarão Sampaio Viana

Depois de quatro anos, a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) finalmente ocupará - com um empurrãozinho substancial do evento de decoração Casa Cor - o casarão Sampaio Viana, localizado no Pacaembu, zona oeste da capital paulista. O imóvel, hoje tombado pelo Estado, foi projetado por Ramos de Azevedo para abrigar filhos ilegítimos da sociedade paulistana no século passado e, mais tarde, tornou-se uma unidade da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem).Sua compra, em 1998, causou uma crise sem precedentes na Fundação Faculdade de Medicina (FFM), com acusações de que o terreno de mais de 46 mil metros quadrados seria usado apenas para especulação imobiliária. O atual diretor da faculdade, Irineu Tadeu Velasco, e a diretora da FFM, Sandra Papaiz, garantem que, no próximo semestre, o casarão será ocupado com salas de aulas e de pesquisa."A idéia é montar laboratórios que não usem animais ou seres humanos. Apenas aulas práticas que façam simulações com bonecos", diz Velasco. As propostas procuram seguir as normas de zonemanento do bairro, estritamente residencial, que não permitem entrada e saída freqüentes de pacientes.Além da falta de dinheiro, Sandra explica que a fundação - administradora da faculdade e do Hospital das Clínicas (HC) - demorou a usar o imóvel por causa de restrições impostas pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).No início deste ano, os organizadores do evento Casa Cor se propuseram a reformar boa parte do casarão e das áreas externas em troca do uso durante a exposição. "A casa estava com cupins, goteiras, reboco caindo", diz o diretor da Casa Cor, Roberto Dimbério, um entusiasta da exuberância arquitetônica do local.Em menos de dois meses, os mais de cem arquitetos e decoradores que participam do evento deixaram o casarão em ordem, gastando cerca de R$ 6 milhões. "Agora, faltam apenas pequenas obras para que a faculdade a ocupe", diz Sandra. Entre as outras utilizações do imóvel, Velasco pensa em inaugurar um centro da chamada telemedicina, ainda incipiente na faculdade.São aulas ministradas em São Paulo e transmitidas ao vivo para universidades em outros Estados. A Casa Cor começa na terça-feira e vai até dia 9. Logo depois que o imóvel foi comprado pela Fundação Faculdade de Medicina, por R$ 20 milhões, quatro integrantes do então conselho de curadores - Adib Jatene, José Aristodemo Pinotti, Silvano Raia e Hans Albe - renunciaram, alegando não terem sido consultados.Sugeriu-se que o negócio fosse desfeito. O então diretor da faculdade, Marcello Marcondes Machado, disse na época que a aquisição do imóvel fazia parte de uma estratégia para manter fundos de reserva para ações trabalhistas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.