Médico afirma que parto em casa é seguro

Para Braulio Zorzella, problemas ocorrem porque profissionais inexperientes estão praticando esse tipo de parto

Chico Siqueira, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

03 Outubro 2015 | 18h15

ARAÇATUBA - O médico Braulio Zorzella, de 38 anos, conhecido por fazer 90% de partos normais, afirma que o domiciliar é seguro. “Não se pode colocar todos os partos domiciliares em um mesmo patamar.” Ele cobra R$ 10 mil e só trabalha com casos em que já cuidou do pré-natal. Segundo o profissional, as mulheres procuram ter filhos em casa porque querem fugir da violência obstétrica nos hospitais brasileiros, “que engatinham ao lidar com a humanização”. “Além disso, há problemas que também ocorreriam em partos hospitalares.”

Zorzella afirma que os problemas acontecem porque muitos profissionais inexperientes e aventureiros estão praticando esse tipo de parto. Para ele, seria necessária regulamentação das equipes e fiscalização da Vigilância Sanitária. Ele recomenda ainda que a gestante interessada levante o histórico da equipe profissional. 

Também é preciso que a gestante seja de baixo risco e haja um plano B bem estruturado. Segundo ele, equipamentos de reanimação neonatal e para hemorragia pós-parto são imprescindíveis. “Mas sabemos de equipes que não levam nem cilindros de oxigênio.” 

Doulas. Fernanda Oliveira, de 32 anos, que trabalha há quatro anos como doula na capital paulista, destaca que as pessoas precisam se informar sobre os profissionais. “Eu não aceito participar se o parto não tiver médico, um plano B com ambulância ou não for realizado em um ambiente adequado. Além disso, tem de haver uma simpatia entre mim e a gestante”, diz. “Também é muito importante que a gestação seja sem riscos e que a gestante tenha um pré-natal bem acompanhado”, afirma.

Para Fernanda, o número de partos domiciliares que apresentam problemas é pequeno. “A gente sabe que há equipes radicais que insistem em partos com risco, mas esse não é o meu caso”, diz.

A doula Cristina Almada, de 36 anos, considera que os partos domiciliares planejados são seguros, mas critica o posicionamento de alguns profissionais, “que pregam o parto natural de qualquer forma, até mesmo em pacientes de risco e sem ambiente apropriado”.

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