Médico associa ameaças a crise no Incor

No ano passado, ele denunciou supostas irregularidades no hospital

Marcelo Godoy e Fabiane Leite, O Estadao de S.Paulo

14 de dezembro de 2007 | 00h00

O infectologista David Uip apontou ontem uma possível relação entre as ameaças que sofreu este ano e as medidas que tomou durante a crise no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo, em 2006. O médico já vinha apresentando essa hipótese também à polícia e aos amigos.Uip disse ainda ter levado o caso de ameaça ao conhecimento dos conselhos deliberativo e curador do hospital. ''''Eles foram avisados porque eu entendia que era uma questão institucional também. Não sabia de onde estava vindo e achei que deveria estar instruindo todo o mundo. Quando você assume a função e faz o que eu fiz, sabe que não agrada a todo mundo. São decisões administrativas, longe de saber que culminaria em tudo isso'''', afirmou Uip . O infectologista não citou nomes de possíveis envolvidos.No ano passado, o grupo de Uip encaminhou representações à polícia e ao Ministério Público Estadual sobre supostas irregularidades em contratos de mais de R$ 60 milhões feitos pela administração anterior da fundação responsável pela administração do Incor, a Zerbini. Os acertos não teriam passado pelo aval do conselho curador. Mas não foram feitas acusações diretas contra ex-dirigentes nem contra fornecedores.O próprio médico e outros integrantes da cúpula do Incor, no entanto, são processados por calúnia e difamação pelo cardiologista José Antônio Franchini Ramires, que pertenceu à cúpula da fundação. A polícia informou que chamará Ramires apenas para verificar se um dos acusados da extorsão, a ex-coordenadora de call center Andrea Rossi, usou outros funcionários do Incor para obter informações sobre David Uip. ''''Aguardo a intimação para saber o que eles querem'''', disse Ramires. ''''Talvez seja uma rotina normal da investigação'''', afirmou o médico.SOLUÇÃODesde 2005, a fundação tenta solucionar uma dívida de mais de R$ 200 milhões - hoje na maior parte equacionada, segundo o Incor. Além de apontar supostos problemas na gestão anterior, Uip e seu grupo irritaram integrantes do governo ao cobrar repasses que o Estado não teria feito à fundação durante a construção de um dos anexos do Incor.A situação só se acalmou este ano, quando a administração José Serra (PSDB) assumiu parte do débito da Zerbini com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sob a condição de que a fundação cortasse gastos.

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