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Médico estrangeiro que chegou à BA se formou em Salvador e 'revalidou' diploma em Portugal

Médico afirma que não foi o valor oferecido pelo governo que o atraiu, mas o 'carinho por Salvador'

Tiago Décimo, O Estado de S. Paulo

23 de agosto de 2013 | 18h26

O primeiro médico estrangeiro inscrito no Programa Mais Médicos, do governo federal, a chegar para trabalhar na Bahia, desembarcou em Salvador na tarde desta sexta-feira. O cirurgião maxilo-facial e clínico-geral Raul dos Reis Ramalho, de 66 anos, é português, mas se formou na Escola Bahiana de Medicina, em 1983. Ao voltar para Portugal para trabalhar, precisou "revalidar" seu diploma.

"Depois de fazer a residência médica aqui, entre 1982 e 1983, precisei fazer uma nova residência lá", conta. "Foi uma espécie de Revalida, sem ser um Revalida. Mas sofri preconceito por ser formado no Brasil". Ramalho está aposentado desde 2011 - o que, de acordo com ele, o impede de trabalhar para o governo português. Do período em que ficou no Brasil, fez amizades, que diz manter, e deixou uma filha brasileira, que ainda hoje mora em Salvador.

Além disso, outro filho, o produtor de vídeo Pedro Ramalho, se mudou para a capital baiana há dois anos, por causa da mulher, também soteropolitana. "Sempre quis voltar, mas nunca tive uma boa oportunidade", conta o cirurgião. "Com esse programa, juntei o útil ao agradável." O médico português está escalado para trabalhar na Unidade de Saúde da Família da Nova Constituinte, bairro periférico localizado no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Fará atendimento básico de saúde, junto com outro médico, que já trabalha no local.

Segundo o secretário municipal de Saúde, José Antonio Rodrigues Alves, Ramalho passará a semana que vem em fase de adaptação na unidade e, a partir do dia 1º, será efetivado na função. Alves e o secretário estadual da Saúde, Jorge Solla, recepcionaram o português no aeroporto. Ramalho conta ter "algum receio" de trabalhar na zona periférica da cidade, mas ressalta que "em Portugal também há áreas perigosas" e que isso não seria um impeditivo para sua vinda. O médico português também disse não ter medo de sofrer discriminação por sua origem. "Fiz residência no Hospital Irmã Dulce, no Santa Isabel e no Iperba (Instituto de Perinatologia da Bahia) e não tive problemas."

Por outro lado, Ramalho diz não ter sido atraído pela bolsa de R$ 10 mil oferecida pelo governo brasileiro e avalia que dificilmente outros médicos europeus venham baseados apenas na remuneração.  "Não é um valor tão significativo, ainda mais com a valorização recente do euro", avalia. "Mas há outros motivos para os médicos virem. No meu caso, foi o carinho que sinto pela Bahia."

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