Médico inventor da lipoaspiração volta ao Brasil

Inventor da cirurgia de lipoaspiração, o médico francês Yves Gerard Illouz, acredita que, no futuro, submeter-se à operação será tão comum quanto ir ao dentista. Vinte e três anos depois de realizar a primeira lipo do País, no Rio, com uma cânula que ele mesmo adaptou, Illouz retornou ao Brasil para fazer um balanço da aplicação de sua técnica, durante o 40º Congresso de Cirurgia Plástica, que será realizado na semana que vem, em Fortaleza. De passagem pelo Rio, o médico, de 64 anos, defendeu a alimentação balanceada como meio de manter-se permanentemente no peso e condenou as dietas. "O melhor é comer leve a vida inteira. Com regimes, perde-se três quilos e ganha-se quatro". O cirugião disse que os melhores candidatos à cirurgia são as pessoas que têm acúmulo de gordura em determinada região do corpo por herança genética. Hoje, ele reviu sua primeira paciente brasileira, a historiadora e geógrafa Maria Edith de Araújo Pessanha. Maria não revela a idade - diz apenas que tinha "30 e poucos" em 1980 -, mas não hesita em exibir o corpo operado pelo francês, que retirou excessos dos culotes e dos joelhos dela. "É um exemplo perfeito da técnica", disse Illouz. A escolha por ela se deu por acaso. Maria era amiga da atriz brasileira Vanja Orico, que recepcionou Illouz na ocasião de sua vinda ao Rio. Num jantar, ele comentou que precisava de uma voluntária para fazer a operação no Brasil e Maria se ofereceu. A cirurgia foi realizada no Hospital dos Servidores e acompanhada por médicos curiosos. A cânula que sugou a gordura, de dez milímetros, era para fazer abortos e foi adaptada por Illouz. Hoje, os instrumentos têm três, quatro ou, no máximo, cinco milímetros. Dias depois da operação, a técnica foi apresentada num Congresso de Cirurgia Plástica que, por coincidência, também era em Fortaleza. O médico diverte-se ao lembrar a polêmica que provocou. "A maioria achou que eu era um louco. Só os médicos mais jovens se entusiasmaram." O método de Illouz, pelo qual o tecido gorduroso é destruído por uma cânula e sugado graças à pressão negativa, acabou substituindo um processo antigo que não dava bons resultados. Tratava-se de curetagem da gordura, o que provocava o surgimento de um depósito de tecido morto no local. O aspecto final não era bom e ainda havia risco de infecção. Ele desenvolveu a técnica para atender a um pedido de uma namorada, uma atriz francesa cujo nome não revela. "Foi tudo por causa de uma história de amor", conta. A moça tinha um linfoma nas costas que a impedia de usar vestidos decotados e pediu a Illouz que resolvesse seu problema sem deixar uma cicatriz grande. O mais célebre cirurgião brasileiro, Ivo Pitanguy, aprendeu a realizar a operação observando-o em ação, em Paris. Ainda na ativa, o médico, que já retirou 20 toneladas de gordura de pacientes em mais de dez mil cirurgias, acredita que o sucesso da lipo se deve ao fato de a intervenção ser simples, de deixar uma marca pequena e de não oferecer perigo - quando feita por um especialista, ressalva. No Brasil, onde a operação se consolidou entre 1984 e 1985, a popularização é crescente: das 400 mil cirurgias plásticas feitas anualmente, 40% são de retirada de gordura. Os números põem o País em segundo lugar no ranking mundial, atrás apenas dos Estados Unidos. Illouz vê com bons olhos o aumento no número de cirurgias. "Uma mulher precisa se sentir bonita para ficar confiante. Beleza não é luxo, é necessidade." Ele lembra que retirou gordura até da mulher, a francesa Claire, de 34 anos, com quem tem um filho de seis. "Fiz uma lipo nos joelhos. Ela ficou perfeita, maravilhosa." O médico não gosta do tipo esquelético das modelos. "A mulher tem que ser confortável, como um travesseiro. Mas não um travesseiro muito grande", brinca.

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