Médico opera à luz de velas no interior do Piauí

Conselho Regional de Medicina constata irregularidades e afirma que tomará providências quanto às precárias condições de trabalho na Unidade Mista de Saúde de Parnaguá

Luciano Coelho, O Estado de S. Paulo

04 de abril de 2014 | 21h21

Teresina - O presidente do Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI), Emmanuel Fontes, afirmou que a falta de estrutura e investimentos em saúde está provocando um caos no atendimento à população no interior. "Não temos falta de médicos, temos falta de estrutura. Não temos laboratórios, não temos equipamentos nem medicamentos no interior." Segundo Fontes, em Parnaguá (a 825 quilômetros ao sul de Teresina), o médico José Walter Oliveira já operou pacientes com a luz do celular e, quando a bateria acabou, usou a luz de vela. Não tinha energia nem gerador", afirmou o presidente do conselho.

O CRM-PI afirmou que, após constatar irregularidades, tomará providências quanto às precárias condições de trabalho na Unidade Mista de Saúde de Parnaguá, gerida pelo município. A cidade tem cerca de 10 mil habitantes e conta com cinco médicos registrados no conselho de Medicina, além de dois cubanos. Segundo Fontes, no ambulatório, a procura por atendimentos com médicos cubanos é um terço da procura pelos brasileiros, ocasionando sobrecarga para os locais.

"O programa de importação de médicos tem muita propaganda e pouca resolutividade. Boa estrutura e condições dignas de trabalho deveriam ser a prioridade na saúde pública. Não temos estrutura. O problema da saúde do Estado não é a falta de médicos, mas de estrutura. Não tem equipamentos, não tem laboratórios, não tem medicamentos. O médico tem apenas uma mesa e uma cadeira para atender", disse Fontes.

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