Médico que atendeu Serra pedirá retratação de Lula

Jacob Kligerman recorrerá ao Supremo porque se sentiu ofendido pelo presidente, que chamou episódio de farsa

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2010 | 00h00

O médico Jacob Kligerman, que atendeu José Serra (PSDB) depois que o candidato foi atingido por um objeto em caminhada no Rio, na quarta-feira, vai pedir no Supremo Tribunal Federal uma retratação pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Kligerman disse que se sentiu ofendido quando Lula classificou o episódio como uma "farsa" e fez referências ao médico, apesar de não ter citado seu nome.

"Fui acusado de farsante ao realizar um ato médico perfeito. O atendimento foi qualificado, da maneira que deveria ser feito", afirmou Jacob Kligerman. "Exijo uma retratação pública (do presidente), pois ele me acusou publicamente."

O médico será representado pelo advogado Marcelo Cerqueira, candidato derrotado ao Senado no Rio pelo PPS - em chapa composta por PSDB, DEM e PV. Cerqueira disse que vai basear a interpelação no artigo 144 do Código Penal, que garante a Kligerman o direito de pedir explicações em juízo.

"O presidente insinua que o doutor Jacob teria participado de uma farsa, mas há uma ambiguidade em sua declaração. Ele não deixa clara a afirmação de que há envolvimento do doutor Jacob, então queremos explicações", disse Cerqueira.

Um dia depois da confusão entre militantes tucanos e petistas na zona oeste do Rio, quando Serra foi atingido na cabeça, Lula disse que o episódio não passava de uma "mentira" criada pela equipe de campanha do tucano.

"Ele bota a mão na cabeça e vai ser atendido por um médico que foi secretário de Saúde do prefeito Cesar Maia e foi diretor do Inca quando Serra foi ministro da Saúde", afirmou o presidente em Rio Grande (RS).

Um evento a favor de Kligerman reuniu aliados de Serra, ontem, em um restaurante da zona sul do Rio. Estavam presentes o candidato a vice na chapa de Serra, Índio da Costa, os deputados federais Fernando Gabeira (PV) e Marcelo Itagiba (PSDB), o presidente do PPS, Roberto Freire, o ex-governador fluminense Marcello Alencar e o engenheiro David Zylbersztajn - diretor da Agência Nacional do Petróleo no governo Fernando Henrique Cardoso e alvo recente de críticas da campanha de Dilma Rousseff (PT).

Índio da Costa reforçou as críticas ao presidente Lula a respeito das declarações feitas contra Serra. "O Jacob é um médico sério e foi aviltado pela declaração do Presidente da República, que, na verdade, está utilizando seu cargo para ser cabo eleitoral da candidata de seu partido", disse. "Eu vi o Serra tonto, eu vi o Serra com dificuldade quando foi atingido, mas o PT tentou distorcer a história."

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