Médico que transportava órgãos diz que prática é comum

O médico que abandou três caixas de isopor com órgãos humanos no Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista, na quarta-feira, 18, afirmou que o transporte de órgãos é "comum" no País. A caixa foi encaminhada ao setor de Achados e Perdidos e aberta por um funcionário que levou um susto. Dentro delas havia um amontoado de órgãos humanos: corações, cérebros, pulmões, rins, fígado, apêndice e até um útero. O material pertence ao médico especializado em anatomia Paulo Cardoso Almeida, que tentou embarcar com os órgãos no vôo 3574 da TAM com destino a Porto Velho (RO). A confusão começou quando o aparelho de raio X do aeroporto detectou os órgãos humanos dentro das caixas de isopor. O material foi recolhido e o passageiro localizado. Segundo a polícia, ele queria levar as caixas como "bagagem de mão", mas foi impedido por uma funcionária da TAM. A polícia explicou que o passageiro deveria ter feito reserva antecipada e preparado uma série de documentos que são necessários para o transporte de órgãos humanos, regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Almeida respondeu que não tinha os documentos e teria discutido com a funcionária da empresa aérea, que ficou irredutível. Com medo de perder o vôo, ele largou as caixas e, segundo a polícia, disse para a funcionária "jogar tudo no lixo". Depois, seguiu para o setor de embarque. Almeida conseguiu chegar a tempo de pegar o vôo para Rondônia. De acordo com o setor de comunicação social da TAM, a funcionária agiu corretamente ao impedir que o médico embarcasse, sem qualquer documentação, com as caixas com órgãos humanos. Funcionários da Infraero encontraram as caixas e encaminharam ao Achados e Perdidos. A o ver que se tratava de órgãos humanos, o funcionário do setor comunicou o caso aos policiais civis do aeroporto, que apreenderam as caixas. Sem crime Por enquanto, o boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia da Polícia Civil do aeroporto como "averiguação". Para o delegado do Aeroporto de Congonhas, Antonio de Olim, ainda não há crime configurado. "Vamos ouvir o médico, funcionários do laboratório e verificar como dever ser realizado o transporte de órgãos humanos", disse Olim. Perguntas ao médico Paulo Cardoso Almeida é médico e dono de um laboratório em Porto Velho. 1) O senhor é médico e professor? Sou médico especializado em anatomia e dou aulas em uma faculdade, mas prefiro não dizer qual. 2) O senhor já transportou órgãos humanos em outras ocasiões? Sim, isso é uma rotina no Brasil. Todos os dias médicos e especialistas fazem esse tipo transporte. 3) Para que finalidade o senhor usaria esses órgãos? Tenho um laboratório aqui (São Paulo) e um em Rondônia. Estava levando esse material para realizar o treinamento dos meus funcionários. 4) Por que o senhor abandonou as caixas no aeroporto e embarcou? Não podia perder o vôo, tinha compromissos importantes agendados e não poderia desmarcá-los. Então, eu liguei para um funcionário meu e pedi para que ele pegasse as caixas para mim no aeroporto. 5) Qual a origem desse material? São restos de operações que depois servem para estudos médicos. 6) Há quanto tempo o senhor tem esses órgãos guardados? Há alguns meses. Esse órgãos estão conservados em formol e não servem a nada mais do que para fins de estudo.

Agencia Estado,

20 Abril 2007 | 10h31

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