Médico se diz inocente em morte por lipoaspiração

O ginecologista Vânderson Bullamah manifestou-se publicamente pela primeira vez, nesta sexta-feira, quase um mês após a morte da estudante Helen de Moura Buratti, de 18 anos, ocorrida em 5 de julho, um dia após ter se submetido à uma lipoescultura.Ele isentou-se de culpa na morte de Helen, pois teria seguido as normas técnicas da cirurgia, acrescentando que já fez vários cursos sobre lipoaspiração, em vários países, contradizendo a informação de que não teria especialização para tal prática.Seu advogado, Heráclito Mossin, entrou com o pedido de exumação do corpo de Helen, na última terça-feira, para saber por que foram encontrados 2,5 litros de líquido no pulmão direito da estudante. Bullamah alega que a morte ocorreu, por acidente, mas em função da tentativa de hidratar Helen.Segundo o laudo da necropsia, Helen teria morrido em decorrência de complicações pós-cirurgia (insuficiência renal causada por anemia profunda, com perda de sangue). Mas a defesa de Bullamah tenta provar o contrário, que a morte ocorreu porque Helen estava desidratada e perdeu líquido com a diarréia.Na Beneficiência Portuguesa, um cateter teria sido feito na veia subclave direita, abaixo da clavícula, para injetar líquido. Mas Helen não resistiu. Bullamah alegou que ficou "perdido" duas semanas e, após consultar amigos legistas, deu-se conta de que o laudo necroscópico citava os 2,5 litros de líquido no pulmão, que, segundo ele, seria o produto para hidratar a estudante.O cateter não foi citado no laudo. A exumação foi pedida, mas o promotor Djalma Marinho Cunha Filho é contrário a isso, pois entende que já faz muito tempo que Helen morreu, e seu corpo já está em avançado estado de decomposição. Isso impossibilitaria a análise solicitada pela defesa de Bullamah. O pedido de exumação será analisado pelo juiz corregedor Luiz Augusto Freire Teotônio.

Agencia Estado,

02 de agosto de 2002 | 18h03

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