Médicos confirmam morte cerebral de garoto atingido pela PM

Veículo em que o menino de 3 anos estava com a família foi confundido pela PM com carro de bandido em fuga

Fabina Cimieri, estadao.com.br

07 de julho de 2008 | 10h50

A equipe médica do Hospital Copa D'Or informou nesta segunda-feira, 7, que foi constatada a morte cerebral do menino João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, baleado no domingo à noite, durante uma perseguição policial na Tijuca, na zona norte do Rio. Ele foi internado na UTI do hospital, em Copacabana (zona sul). O pai da criança, o taxista Paulo Roberto Amaral, de 45 anos, fez um desabafo emocionado na porta do hospital.   "Não houve troca de tiros", afirmou. Segundo ele, sua mulher Alessandra voltava de uma festa infantil com os dois filhos do casal no carro. Além de João, estava no veículo o bebê Vinícius, de 8 meses, que nada sofreu. Quando estava na esquina de casa, a mãe viu que um carro passou em alta velocidade e que ele estava sendo perseguido pela polícia. Ela encostou o carro para os policiais passarem, mas eles a teriam confundido com os bandidos.   "Mesmo atingida (por estilhaços), ela saiu do carro e jogou a bolsa do bebê para mostrar que tinha crianças. Isso foi a 200 metros da delegacia (19º DP)", contou o pai, muito abalado. O projétil que atingiu o menino na cabeça está alojado na quarta vértebra cervical. "Destruíram o cérebro do meu filho."   Segundo o plantão da Polícia Militar, o tiroteio ocorreu a poucas quadras da 19ª Delegacia de Polícia, na movimentada Rua General Espírito Santo Cardoso, que chegou a ser interditada. Os bandidos, que segundo a polícia foram perseguidos após o roubo de um carro na região, teriam fugido a pé para uma favela que fica nas proximidades. Na 19ª DP, um policial que não se identificou afirmou que "ouviu dizer" que foi mesmo a polícia que metralhou o carro da família, mas a corporação não se posicionou oficialmente.   Cercado de favelas, o antes tranqüilo bairro da Tijuca tem sido marcado pela violência. Apenas este ano, dois assassinatos chocaram os moradores. Em março, o médico Carlos Alberto Peres Miranda, de 55 anos, foi morto com dois tiros. No mesmo mês, a chefe de gabinete do reitor da Universidade Cândido Mendes, Maria Emilia Monteiro Ramos, foi assassinada com um tiro nas costas por homens que levaram seu carro, em crime que comoveu o Rio.

Tudo o que sabemos sobre:
violência

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.