Médicos estranham explicações sobre morte de seqüestrador

Como um jovem de 22 anos, que há poucos meses deu mostras de um preparo físico invejável ao descer vários andares de um prédio com uma bala na nádega pode ter morrido de forma tão repentina? A advogada de Fernando Dutra Pinto afirmou que hoje ele estava sem visão, com dificuldades de locomoção e fortes dores no peito. Um quadro que teria evoluído depois de uma intoxicação alimentar, dia 29. Para o toxicologista do Hospital das Clínicas Anthony Wong, é muito difícil que uma infecção alimentar por microrganismos clássicos tenha provocado a morte. "Foi uma evolução muito rápida e somente se o paciente estivesse muito debilitado e com desidratação fortíssima haveria risco", disse. O médico acha estranho, ainda, o fato de somente Dutra Pinto ter apresentado sintomas de intoxicação. "Caso houvesse um prato contaminado na cozinha, outros detentos deveriam apresentar um quadro semelhante." Como não atendeu o paciente, Wong não quis opinar sobre o que teria provocado a morte do seqüestrador. Mas, acrescentou que, na literatura, alimentos contaminados com rícino ou metais como arsênico podem levar à diarréia, fortes dores no abdome e peito e, mais tarde, à morte. Já uma infecção pela toxina botulínica pode levar à paralisia progressiva, falta de ar e à dificuldade de visão. Sintomas apresentados pelo preso, segundo a advogada.BronquiteO pai de Dutra Pinto contou que ele tinha bronquite, tratada com corticóide. O professor de pneumologia da Universidade Federal de São Paulo Clístenes Silva afirma que, em tese, uma crise aguda de asma brônquica, e não bronquite, poderia provocar a morte. "Existem pacientes que fora da crise apresentam boa qualidade de vida. E, quando em contato com alérgeno, podem ter uma crise e morrer. Os casos são raros, mas podem ocorrer." Também é remota a possibilidade de ele ter tido problema cardíaco, avalia o diretor do Instituto do Coração, José Antônio Ramires. O cardiologista explica que a morte entre jovens geralmente ocorre por arritmias, provocadas, por sua vez, por hipertrofia do coração. "O mais comum é que um ou outro sintoma seja notado. Ainda mais no caso dele, que levava uma vida tão atribulada. Mas, em medicina nada se pode descartar. O ideal é aguardar a autópsia."

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