Médicos recomendam uso de vitamina como repelente

Uma indicação médica para prevenir a dengue está dividindo especialistas no combate à doença. Médicos cariocas estão recomendando o uso do complexo B para repelir o Aedes aegypti (a ingestão da vitamina produz um cheiro na pele que afastaria os mosquitos), mas técnicos das secretarias Estadual e Municipal da Saúde condenam o uso da vitamina e afirmam que não existe prova científica de que a droga realmente pode ser usada como repelente. O complexo B, normalmente usado como complementação alimentar para pessoas desnutridas, poderia ser usado como um dos mais eficientes repelentes do mosquito, afirmam os médicos. Quando ingerida em grande quantidade, a vitamina que não é absorvida pelo organismo é expelida pela pele. E é esse cheiro que tem o poder de afastar qualquer mosquito, como explica o professor-assistente de infectologia Edimilson Migowski, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Acho que qualquer pessoa que quer diminuir o risco de ser contaminada deve tomar a vitamina. É uma medida comprovada e não existem efeitos colaterais. Se uma pessoa toma mais vitamina do que precisa, ela simplesmente elimina o excedente", observa o professor. Migowski diz que, de forma geral, duas cápsulas de complexo B já seriam suficientes para afastar o mosquito. "Essa é uma indicação já feita há muito tempo para quem viaja para regiões onde existem muitos mosquitos." A superintendente de Saúde Coletiva da Secretaria Estadual da Saúde discorda do professor da UFRJ. Yolanda Bravim afirma que, como não existem estudos científicos sobre o assunto a vitamina não deveria ser indicada como repelente. "Temos que ter claro que complexo B é um remédio, e as pessoas não podem sair tomando remédios sem que existam provas reais de que ele realmente repele os mosquitos", critica Bravim. O coordenador de Controle de Vetores da Secretaria Municipal da Saúde, Mauro Blanco, concorda. "Acho que não faz sentido tomar uma droga para um problema que ainda não apareceu. Se quiser usar repelente, que use aqueles que já existem nas farmácias." CasosO último balanço de dengue, divulgado hoje pela Secretaria Estadual da Saúde, revela que o Estado do Rio já registra 10.406 os casos da doença, desses 169 hemorrágicos. O número é quase três vezes maior do que o total registrado em janeiro do ano passado. O número de mortes ficou mantido em cinco e o Rio continua sendo a cidade recordista em dengue, com 3.862 casos. Hoje, técnicos da Secretaria Municipal da Saúde se reuniram com funcionários da Fundação Nacional da Saúde para acertar os últimos detalhes da operação contra o mosquito que começa na próxima segunda-feira. Segundo Mauro Blanco, que participou da reunião, os 800 agentes de saúde vão iniciar a operação nas áreas mais infestadas da cidade -concentradas na zona norte. Os agentes serão responsáveis por visitar as casas, colocar larvicida nas plantas e ensinar os moradores como combater o mosquito. Os itinerários ainda não estão prontos, mas já está acertado que os 800 agentes não percorrerão os morros. Além de ser uma atividade perigosa para agentes que não moram no Rio (eles estão sendo enviados de outros Estados), a secretaria explica que ela é desnecessária, já que existem agentes comunitários atuando nessas regiões há muito tempo e sem necessidade de reforço. Para convencer o morador a abrir a porta para o agente, a secretaria manterá um serviço telefônico (021-2566-1531) para o qual o morador poderá ligar e checar se o agente que está visitando a sua casa realmente é funcionário da Funasa.

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