Medida agrada a ONGs, MP e até oposição

Tanto urbanistas quanto integrantes do MP - e até vereadores da bancada de oposição a Kassab - elogiaram a medida. Segundo o urbanista Cândido Malta, o terreno sem uso é vantajoso apenas para o dono, mas prejudica o restante da sociedade. "A ociosidade cria uma falsa escassez no mercado imobiliário", diz. "Isso leva ao aumento dos preços, o que é ruim não só para os empresários que pretendem construir no terreno, mas para o cidadão comum que quer instalar a casa", explica. A proposta também foi aprovada por João Crestana, presidente do Secovi-SP, o sindicato da habitação. "Esse instrumento vai permitir maior velocidade de produção de imóveis e ampliar a oferta de habitação." A promotora Cláudia Maria Beré, do Ministério Público de São Paulo, comemorou a iniciativa. "Já passou do tempo de ter lei regulamentando esse assunto, que é o principal instrumento para resolver o déficit de habitação da cidade e está previsto na Constituição", diz. "Um dos principais problemas causados por esse grande número de imóveis vazios é que obriga as pessoas a ir para áreas distantes, causando problemas ambientais e forçando o poder público a levar infraestrutura cada vez mais longe", diz. "Se conseguir moradia no centro, quem vai morar em manancial?" "Demorou para sair", completou Heitor Marzagão, presidente do Movimento Defenda São Paulo. "O poder público hoje está de mãos atadas." O vereador de oposição Antonio Donato (PT) também elogiou a tentativa de regulamentar o dispositivo, previsto no Plano Diretor Estratégico. "Resta saber se não será uma medida direcionada para favorecer as incorporadoras."

Bruno Paes Manso, Diego Zanchetta e Felipe Grandin, O Estadao de S.Paulo

01 Julho 2009 | 00h00

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