Medidas para conter violência no Rio foram adotadas em 1994

As medidas de combate ao crime organizado no Estado anunciadas pelo governo federal são praticamente as mesmas tomadas oito anos atrás durante a Operação Rio, durante a qual as Forças Armadas ocuparam as ruas e subiram favelas, através de um convênio com a administração fluminense. O foco principal também era prevenir e a reprimir o tráfico de drogas e de armas. A necessidade de se intensificar o patrulhamento da Baía de Guanabara, por onde supostamente chegam parte das cargas ilegais, é um dos pontos principais da Operação Rio que agora está sendo revisto. O policiamento dos aeroportos e de fronteiras, a cargo da Polícia Federal, que já era considerado primordial, também é citado novamente, assim como o aumento do efetivo policial empenhado nas ações. Um empenho maior das polícias rodoviárias estadual e federal, a fim de criar barreiras à entrada de armas e drogas pelas estradas de acesso ao Rio, é outra medida que constou na Operação Rio e voltou à tona. O convênio assinado em 1994 pelo então presidente Itamar Franco e o governador Nilo Baptista vigorou por cerca de dois meses. Neste período, as favelas tidas como as mais violentas da capital foram ocupadas pelo Exército e fuzileiros navais. A presença das tropas nas ruas deu à população maior sensação de segurança, mas houve muitas críticas à atuação das Forças Armadas, que não têm, pela Constituição, atribuição de patrulhar as ruas.Nesta quarta-feira, depois de receber, por fax, a lista de medidas divulgadas pelo Ministério da Justiça, a governadora Benedita da Silva (PT) disse que "estas medidas são uma forma de o governo federal reconhecer que o problema de segurança no Rio de Janeiro não pode ser tratado de forma isolada. O Rio de Janeiro não é uma ilha." Benedita afirmou que deixou claro, desde que assumiu a administração fluminense, que a questão não poderia ser resolvida apenas com a estrutura do Estado. Há um mês, a governadora havia enviado ao Ministro da Defesa, Geraldo Quintão, uma relação de seis medidas para combater a criminalidade no Rio, com o apoio do governo federal. Todas foram incorporadas à lista anunciada ontem - dois dias depois de a sede administrativa da Prefeitura ter sido metralhada por bandidos.BalísticaNesta quinta-feira, será divulgado o resultado do exame de balística feito nas cápsulas retiradas do prédio, que poderá esclarecer de qual grupo partiram os disparos. Existe uma linha de investigação que apura se a facção criminosa de São Paulo, o Primeiro Comando da Capital (PCC), estaria por trás do ataque. O PCC também teria ligação com o atentado à sede da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, em Botafogo, na zona sul do Rio, no mês passado.Outra hipótese considerada é de que o ataque teria sido executado pelo traficante conhecido como Thiago da Mineira, que atua no Morro da Mineira, zona norte da cidade. Ontem, policiais militares apreenderam na favela três granadas, quatro pistolas e grande quantidade de cocaína durante uma operação.

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