Medo da insegurança aumenta em São Paulo

Nem mesmo o registro de milhares de assassinatos a cada mês faz surgir no País uma ação eficaz de segurança pública.Especialistas apontam soluções simples, como policiamento constante de ruas onde muitos desses delitos são cometidos, em detrimento de tropas formadas por policiais despreparados e delegacias especializadas em apenas um tipo de crime.Nas grandes cidades, como São Paulo, Rio e Brasília, o medo avança de maneira galopante. Não é para menos.Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de SP, no primeiro semestre o Estado de São Paulo teve 237 pessoas assassinadas por ladrões e 108 mil carros roubados - 55 mil deles na capital.Kleber Rogério de Carvalho, de 24 anos, foi morto por dois homens na noite deste domingo, na loja de conveniência de um posto em Santo André.O corpo, com um tiro na cabeça, ficou caído do lado do caixa eletrônico do Bradesco. Para a polícia, o rapaz, que se casaria em outubro, foi vítima de ladrões responsáveis por seqüestros relâmpagos, que agem nas imediações de caixas.O carro de Carvalho, funcionário de uma joalheria, foi encontrado estacionado na entrada do posto com as portas destrancadas. O circuito interno de tevê, equipado com oito câmeras, gravou tudo o que ocorreu.A fita já estava nas mãos da polícia nesta segunda, mas ninguém pôde assistir ao vídeo, por causa do sistema utilizado. Eles agora tentam obter com o Instituto de Criminalística um aparelho que permita ver com nitidez tudo o que aconteceu.Um motorista ouvido pela polícia disse ter visto dois homens com bonés deixando o local apressados. Um deles tinha um revólver. Os funcionários do posto informaram que não viram os assaltantes e não ouviram o tiro. "Quando a pessoa vai direto ao caixa e não compra nada, a gente quase nem vê", disse o empregado Eurípedes da Silva.O delegado Marcos Duarte acredita que Carvalho pode ter sido atacado assim que chegou ao caixa. "Tudo leva a crer que, por estar na loja, o rapaz possa ter reagido, achando que estaria mais seguro."Crimes iguais a esse ocorrem todo dia. Nos primeiros seis meses deste ano, 237 pessoas foram assassinadas por ladrões no Estado.Do total, 86 casos ocorreram na capital, 56 na Grande São Paulo e 95 no interior. "Os assaltantes chegam com armas engatilhadas e matam se a pessoa reage ou hesita em dar o dinheiro", disse o presidente do Sindicato dos Investigadores do Estado de São Paulo, João Batista Rebouças.Na semana passada, o comerciante Waldir Setaro, de 65 anos, foi seguido por um ladrão numa moto desde a saída de um banco no Butantã. Setaro chegou a pegar um táxi, mas, no trânsito lento da Rua Tabapuã, no Itaim-Bibi, foi morto a tiros.Segundo o motorista, José Antonio Nascimento, o ladrão queria o dinheiro de Setaro. Após atirar, o criminoso revistou o comerciante, que agonizava.A violência também está presente em assaltos e furtos praticados em ruas, prédios, lojas, bancos e veículos. De janeiro a junho deste ano, ocorreram na capital 55.489 assaltos e 56.395 furtos.No Estado, foram 109 mil assaltos e 215 mil furtos. Os ladrões furtaram e roubaram na capital 54.927 veículos. No Estado, foram 108 mil.Até o ano passado, a bancária Andresa Suguiura, de 25 anos, andava despreocupada em São Paulo, mas isso mudou após ser roubada três vezes. Ela passou a andar com portas travadas e vidros fechados. Não fala com ninguém. "A gente vive com medo de todo mundo."Uma vida paranóica. É assim que o analista de sistemas Nivaldo Luiz, de 44 anos, define a sensação de insegurança. Nunca foi assaltado, mas abismado com as histórias que ouve também se fecha no carro. Só em casa ele se sente seguro.O cabeleireiro Ézio Greter, de 39 anos, leva isso ao extremo. Em dois anos, quatro pessoas morreram em roubos perto de seu salão, na Vila Penteado, zona norte. Sua mulher, Iris Marani Greter, agora sofre da síndrome do pânico.

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