Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Medo de queda na rua por defeito de calçada atinge 43% dos idosos brasileiros

Coordenadora do trabalho, professora Maria Fernanda Lima Costa afirma que não esperava resultados tão desfavoráveis

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

01 Outubro 2018 | 11h58

BRASÍLIA - Pesquisa coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz de Minas mostra que 43% da população brasileira acima de 50 anos tem medo de cair na rua por causa de defeitos nas calçadas, 30% diz viver em regiões muito inseguras e 6% já teve sua casa invadida. "Não esperávamos resultados tão desfavoráveis", afirmou a coordenadora do trabalho, a professora Maria Fernanda Lima Costa. A pesquisadora destaca que, com o envelhecimento da população, a questão urbana assume uma importância primordial. 

Batizado de Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros, o trabalho integra uma rede internacional de grandes estudos sobre o envelhecimento. No País, ele foi feito a partir da entrevista de pessoas com mais de 50 anos em 70 municípios de todas as regiões. 

Os resultados impressionam sobretudo pelo fato de 85% da população idosa viver em áreas urbanas. "A cidade precisa garantir condições adequadas para essa população, o Brasil está devendo isso", completa. 

O ministro da Saúde, Gilberto Occhi, reconheceu o problema. "Sabemos que isso é realidade, as calçadas são inadequadas. É necessário o diagnóstico para que todos nós possamos tomar as medidas." O receio de cair reduz a mobilidade da pessoa com mais idade, afeta sua independência e aumenta sua fragilidade. Estudos mostram que, quanto maior o sedentarismo do idoso, maior o risco de ele sofrer quedas. 

O estudo mostra ainda que o envelhecimento da população brasileira é desigual. Pessoas com mais escolaridade se exercitam mais e as proprietárias de maior número de bens domiciliares têm maior chance de ter um controle adequado de hipertensão. Para a coordenadora do trabalho, os resultados apontam a necessidade de políticas que permitam proteger essa população. O levantamento  destaca ainda a necessidade de se investir na melhoria das condições da saúde para ampliar a longevidade no trabalho. A pesquisa deixa clara, por exemplo, a relação entre a presença de doenças crônicas e o recebimento precoce de aposentadorias e pensões. 

Questionado sobre a redução da idade mínima para previdência, Occhi afirou que "qualquer atividade exercita o corpo, a mente e o espírito". Para ele, a mudança na regra da previdência está atrelada ao fato de a expectativa de vida do brasileiro ter aumentado. "Cálculos atuariais são feitos. Qualquer cidadão ainda em atividade tem uma qualidade de vida melhor."

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