Megablitz em SP tenta impedir avanço do PCC

Na tentativa de impedir o avanço do Primeiro Comando da Capital (PCC) e das demais facções criminosas que dominam parte do sistema carcerário do Estado, a Secretaria da Administração Penitenciária de SP (SAT) fez nesta terça-feira uma megablitz em 53 presídios.Foram revistados 46.263 dos 76.923 detentos que cumprem condenação nas 93 unidades prisionais de São Paulo. Agentes penitenciários e policiais militares apreenderam 87 celulares, 72 carregadores, 13 baterias de celular, 100 cigarros de maconha 329 papelotes de cocaína, dezenas de pedras de crack, 244 estiletes e facas, 27 cordas, 100 litros de ´maria louca´ (bebida feita de arroz fermentado e casca de laranja), 20 canos de aço. O grupo localizou ainda um túnel na Penitenciária Tremembé 1.Nos 15 presídios da capital e da Grande São Paulo ocorreu a maior apreensão de celulares: 50. Foram encontrados ainda 58 carregadores. O número de estiletes e facas apreendidas 180, também superou o dos demais presídios .ApreensõesA ação simultânea começou exatamente às 7 horas. Mais de 1.000 PMs e 4.800 agentes penitenciários percorreram celas, oficinas, campos e quadras de futebol em busca de armas, drogas, celulares, bebidas e túneis.Os criminosos revistados cumprem pena em 15 presídios da capital e da Grande São Paulo, 14 da região central do Estado, 4 da região oeste, 12 da noroeste, 8 do Vale do Paraíba e litoral. Durante as buscas, os detentos foram retirados das celas e mandados para os pátios.Os presídios considerados de segurança máxima também foram revistados. No anexo da Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté não houve apreensão. O mesmo ocorreu na Penitenciária de Presidente Bernardes, onde estão detidos os chefes do PCC.Nos dois presídios, as celas são individuais, não há visita íntima, e os presos só se comunicam com as visitas através de telas. O número de detentos que sai para o banho de sol não passa de quatro por vez e todos pertencem ao mesmo grupo.RevistasAs megablitze têm sido realizadas todos os meses por determinação do secretário da Administração Penitenciária de SP, Nagashi Furukawa. Ele espera fazer dessas operações uma rotina nas unidades do sistema prisional.Desde o começo do ano, os presídios classificados como "problemáticos" - nos quais existe a possibilidade de rebeliões e fugas - estão sendo revistados pelo menos três vezes por mês. Nos demais, o pente-fino é feito duas vezes por mês.Na última megablitz, no dia dia 23 de maio, policiais militares e agentes penitenciários apreenderam 269 celulares, 176 carregadores, 1.060 estiletes e facas, além de cocaína, maconha e crack.AmeaçasA rotina de revistas constantes agrada aos agentes penitenciários. Severino (o nome é fictício, pois o funcionário teme ser punido administrativamente) trabalha na Casa de Detenção, no Carandiru, em São Paulo, e diz fazer de tudo para que o preso não use celular e se comunique com os cúmplices fora das prisões."Qualquer ladrão tem um celular pré-pago. Quando descubro, vou e apreendo. Exijo que o reeducando faça a sua parte pois eu faço a minha sempre dentro da lei." Trabalhando há cinco anos como agente prisional, Severino afirma que os funcionários que decidem fazer cumprir a lei vivem sofrendo ameaças. "Eles (os presos) dizem que vão mandar matar nossas famílias e os ´irmãos´ em liberdade é que farão o acerto de contas se a gente tentar impedir a liberdade que querem ter na cadeia."DemitidoO agente disse que um funcionário do corpo de saúde da Casa de Detenção que havia sido detido no ano passado com uma caixa cheia de celulares, na entrada do presídio, foi demitido depois de ser processado pela Corregedoria da SAT. O funcionário exonerado, segundo as investigações, havia recebido encomenda de um grupo de presos - assaltantes e traficantes - para comprar celulares, baterias e carregadores.

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