Megacasas noturnas viram moda em SP

Em vez de açúcar, diversão. A antiga fábrica que até a década de 80 abrigava a refinaria Pérola, no bairro Taquaral, em Campinas, passou por uma megarreforma, que consumiu mais de US$ 6 milhões, e reabre as portas hoje para o público, com o nome de Usina Royal e a proposta de ser o maior centro de entretenimento da América do Sul. "Tenho certeza de que não há nada parecido no continente", garante um dos proprietários, Antonio Carlos de Souza Macedo.A área de 9 mil metros quadrados reúne 12 ambientes, entre pista de dança, casa de espetáculos, cervejaria, pizzaria, uisqueria, restaurantes japonês e contemporâneo, salão de eventos, cafeteria e bares temáticos. É o extremo de uma tendência que agrada aos freqüentadores da noite, dispostos a uma maratona de divertimento, sem circular muito pelas ruas da cidade."É uma proposta parecida com a dos shopping centers, que alia segurança e praticidade", define a promotora de eventos Alicinha Cavalcante, ao saber da inauguração.A oferta de atrações varia de acordo com o estilo das casas, que têm, em comum, o espaço gigantesco. São lugares como o Villa Country, na Água Branca, que abriga seis ambientes inspirados no velho oeste, num edifício de 6 mil metros quadrados, ou o Ilha de Capri, em São Bernardo, que tem cinco pistas de dança e uma área total, contando estacionamento, de 150 mil metros quadrados.Outro exemplo fica em Interlagos, onde há 15 anos funciona o Reggae Night, templo do axé, reggae e forró espalhado por um terreno de 8 mil metros quadrados, às margens da Represa Guarapiranga.Mais modesto na metragem, com 1.800 metros quadrados, o Piranha, em Perdizes, instalado numa antiga fábrica de linhas, capricha na sofisticação, oferecendo cardápio internacional, lounges, jardins e danceteria. "Aqui eu posso ser várias pessoas em vários lugares", diz o produtor cultural Roberto Bicelli.A inspiração para o gênero é antiga. Surgiu em 1984, quando a cidade ferveu ao som do Radar Tan-Tan, um gigantesco galpão no Bom Retiro, que misturava shows de MBP, pista de dança, restaurante, espaço esotérico e até cabeleireiros. O sucesso foi estrondoso, porém fugaz. Cerca de um ano e meio depois, a casa fechou as portas, vencida pelo aumento dos cachês dos grupos musicais."Quem se arrisca num empreendimento desse tipo tem de estar atento, cercar-se de profissionais e renovar sempre", ensina uma das idealizadoras do Radar, Maria Helena Guimarães.É um conselho que os donos da Usina Royal parecem seguir à risca. A própria estrutura da casa permite mudanças constantes e a oferta de produtos procura ser a mais original possível. O chope, por exemplo, é produzido lá mesmo, à vista do cliente, e a sorveteria tem receitas exclusivas, como o sorvete salgado de pimenta.Na pista de dança, o piso de granito é iluminado por fibra ótica e dançarinos virtuais se movem com a ajuda de laser e espelhos. Mas nem tudo é modernidade. O autor do projeto, o arquiteto Artur Mendes, também aproveitou muito das antigas instalações, como a caldeira, que virou bar, e os silos, transformados em camarotes.Já as chaminés são construções recentes, que exalam fumaça do forno de pizza e labaredas de efeito cênico, ajudando a compor o clima fabril. "Queremos que as pessoas tenham a impressão de estar numa indústria onde se fabrica divertimento", justifica Macedo.

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