Megaoperação da PF prende 13 pessoas em quatro Estados

Entre os presos estão 3 PMs; quadrilha era formada por israelenses e brasileiros

estadão.com.br,

07 Outubro 2011 | 13h54

SÃO PAULO - Treze pessoas foram presas na manhã desta sexta-feira, 7, durante a megaoperação da Polícia Federal em 14 Estados e no Distrito Federal contra uma organização criminosa transnacional, formada por cidadãos israelenses que se associaram a brasileiros e com atuação em crimes de contrabando e comércio ilegal de pedras preciosas, crime contra a economia popular, formação de quadrilha, crimes contra ordem tributária, lavagem de capitais, evasão de divisas, entre outros delitos.

Entre os presos estão três policiais militares, um deles ainda na ativa, sob acusação de proteger os integrantes da organização criminosa. Um israelense com ligações com a "Família Abergil", organização criminosa baseada em Israel. Ele vivia regularmente no país, apesar ser alvo de um pedido de extradição dos Estados Unidos e foi detido em casa em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Segundo a PF, três pessoas foram detidas no Espírito Santo, uma em Campinas, no interior de São Paulo, uma em Goiânia, Goiás, e oito no Rio.

A quadrilha trazia carros usados do Uruguai e vendia como novos. Em São Paulo, a PF apreendeu 20 carros em uma concessionária e os agentes tentam cumprir um mandado de prisão. No Rio, uma concessionária de caros importados foi fechada. O israelense se estabeleceu no país em 2002 e no Rio fez ligações com banqueiros de bicho na exploração de máquinas de caça níqueis. "No Espírito Santo, a PF prendeu três pessoas e tenta localizar um procurado em Goiás". "Foi uma operação difícil pelo poderio econômico da quadrilha, a quantidade de bens e os vários estados onde o grupo atuava", disse o Superintendente da PF, Valmir Lemos. Ele estimou que os bens apreendidos em mais de R$ 50 milhões.

Esquema. A organização criminosa transnacional atuava na exploração de máquinas eletrônicas programáveis (MEP), conhecidas como caça-níqueis, além de montar um esquema de importação de carros usados.

Segundo a Receita, o grupo importava veículos de luxo de várias marcas e modelos, que eram adquiridos com pouquíssimo uso. A importação de veículos usados, de modo geral, não é autorizada, com exceção de veículos antigos, desde que com mais de 30 anos de fabricação, para fins culturais e de coleção.

Investigação mostra que entre 2009 e 2011, as empresas envolvidas na fraude realizaram a importação de mais de 100 veículos usados. Há a suspeita de que este número seja ainda maior, podendo atingir um total que ultrapassa 500 veículos importados no período, inclusive com a participação de outras importadoras.

As investigações também mostraram que em diversos processos de importação foi detectada ausência do fechamento de câmbio da operação, o que leva ao indício de que o pagamento ao exportador teria se dado por outro meio, ilegal perante a legislação brasileira.

Os mandados abrangem escritórios de empresas relacionadas ao esquema, revendedoras de veículos, comissárias de despacho aduaneiro e residências de pessoas supostamente envolvidas, além de apreensão de veículos importados identificados como contrabandeados pelo grupo.

A Receita Federal, durante as investigações, compartilhou informações com o ICE - U.S. Immigration and Customs Enforcement e a Polícia de Imigração e Alfândega americana.

Há suspeita ainda de prática de sonegação fiscal nas operações comerciais internas de várias importadoras e revendedoras investigadas, que nunca recolheram outros tributos e contribuições a não ser os relacionados com a importação. / COLABOROU PEDRO DANTAS

 

Atualizada às 14h49 para acréscimo de informações

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