Megaoperação prende lideranças do PCC

Ação, que contou com mais de 300 policiais, foi deflagrada com o objetivo de retirar das ruas comandantes do PCC na região de Campinas

Ricardo Brandt, de Campinas,

22 Outubro 2012 | 19h52

 Ricardo Brandt

CAMPINAS - Na maior ofensiva para desarticular as ações do Primeiro Comando da Capital (PCC), desde que começaram os ataques a polícias em São Paulo neste ano, o Ministério Público e a Polícia Militar deflagraram uma megaoperação para prender as lideranças de duas células da facção criminosa que controlavam o tráfico de drogas em Campinas (SP) e cidades da região. Os grupos estavam diretamente ligados aos planos para matar integrantes da polícia.

A ação, que contou com mais de 300 policiais, foi deflagrada com o objetivo de retirar das ruas comandantes do PCC na região de Campinas (identificada como geral 19 - em referência ao código de área telefônico) que estariam coordenando planos para ataques a policiais, segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Os promotores começaram a identificar os chefes do PCC e a monitorá-los em uma investigação aberta ha dez meses.

Ao todo foram cumpridos 30 mandados de prisão, 27 deles com sucesso, nas cidades de Campinas, Sumaré, Hortolândia e Monte Mor. Ao todo, 28 locais foram alvo de busca e apreensão. Dois acusados continuavam foragidos, entre eles, o homem apontado como chefe financeiro da célula que comandava o tráfico na cidade de Campinas. Sérgio Adriano Simioni, é dono de uma lanchonete, na avenida comercial que tem o metro mais caro da cidade. Ele já foi condenado por tráfico internacional de drogas, após ser preso em 2007 pela Polícia Federal, envolvido com uma quadrilha de libaneses radicados no Brasil.

As investigações do Gaeco identificaram duas células do grupo estruturadas dentro do organograma oficial do PCC: uma que comandava o tráfico na cidade de Campinas e outra que liderava as cidades da região 19.

Ambos grupos tinham líderes (identificados como "geral") e foram flagrados em conversas telefônicas tratando de atentados que aconteceriam na região. Em Campinas, foram identificados quatro líderes, dos quais três foram presos. O líder das cidades da região também foi preso. Subordinados a eles, foram identificados em cada célula cinco sub-líderes com funções específicas. O Gaeco não divulgou os nomes dos membros para não prejudicar as investigações. As prisões são temporárias.

Os líderes financeiros eram aqueles que recebiam o dinheiro das rifas feitas pelos criminosos, os pagamentos de taxas mensais, chamada de "caixote", e o dinheiro arrecadado para ajudar os familiares de presos, a  chamada "cesta", aponta o Gaeco.

Havia também os responsáveis pela verificação das faltas e do cumprimento das ordens, os chamados "disciplinas". Foram presos três disciplinas da célula que comandava as cidades da região e quatro que atuavam em Campinas, sob a ordem de um quinto integrante identificado como "prefeito".

Os dois líderes que cuidavam da compra e venda das drogas na cidade e na região, identificados como "progresso", foram presos. Foram identificados ainda dois responsáveis por receber dos presídios e repassar as ordens para os demais membros, chamados de "salveiros", mas suas identidades não foram encontradas pelos promotores. Os dois responsáveis pelos registros dos membros da facção e pelos pagamentos, chamados de "cadastro", também foram identificados e presos.

Reação

Na casa de um dos acusados de pertencer ao PCC, em Monte Mor, o criminosos pegou a mulher e a filha de 9 meses como refém. Os policiais cercaram a casa de Jorge Leandro da Silva, de 38 anos, quando ele pegou no colo o bebê e disse que não se entregaria. "Ele falou que tinha explosivos na casa e que ele, a criança e toda equipe ia para os ares se entrássemos", afirmou o PM Nelson Santana Neto.

Depois de mais de duas horas, ela acabou se entregando. Na casa foram encontrados três revólveres, seis carabinas, colete a prova de balas e cocaína. Em uma outra casa, na periferia de Campinas, foram encontrados com um homem de 68 anos e uma mulher de 28, um fuzil, três granadas, coletes a prova de balas e muita droga. No mesmo bairro, a PM fez buscas em uma casa que era usada para o refino de cocaína.

O Gaeco e a PM prenderam também dois acusados que estavam escondidos na sede de uma das torcidas organizadas da Ponte Preta, no centro de Campinas.

Procurado

O empresário Sérgio Simioni, que é apontado como braço financeiro do PCC em Campinas, já foi preso em 2007 pela PF na Operação Kolibra, que prendeu em São Paulo e Mato Grosso do Sul, 20 pessoas acusadas de integrar uma megaquadrilha de tráfico internacional de drogas chefiada por libaneses radicados no Brasil.

A lista de presos incluia um agente da PF e três homens apontados como chefes da organização: Joseph Nour Eddine Nasrallah, o Cabeção, detido em Valinhos (SP) em uma mansão avaliada em R$ 40 milhões; Paulo Salinet Dias, preso em Dourados (MS); e Pedro Costa, encontrado em Campinas (SP). Outro líder, Mohamad Ahmad Ayub, já estava preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos.

A operação foi desencadeada na época a partir de comunicado da polícia alemã e contou com apoio das polícias da Espanha, de Portugal e da Bélgica. foram presos em 24 meses, 54 pessoas e 3,5 toneladas de cocaína, apreendidas.

De acordo com o MP, a operação Kolibra é uma investigação complexa, que envolveu mais de 125 decretos de prisão, 250 linhas telefônicas interceptadas, com um total de mais de 900 mil conversas telefônicas acompanhadas pela PF. Com um faturamento estipulado pela PF em R$ 3 milhões por mês, Simioni foi preso na época ligado aos líderes da quadrilha, cumpriu pena e conseguiu liberdade. Ontem, a PM fez buscas em sua lanchonete na avenida Norte-Sul e em sua casa no condomínio Alphaville, em Campinas.

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