Megaoperação prendeu 2,7 mil em 26 Estados e DF

Um total de 2.757 detidos - 2.422 adultos e 335 adolescentes - em um único dia. Quatro dias depois de encerrar o maior arrastão policial da história do País, as 26 Polícias Civis dos Estados e do Distrito Federal divulgaram na terça-feira, 27, o resultado final da megaoperação realizada na sexta-feira, 23. Quem foi incumbido de tal ato foi o delegado-geral da Polícia Civil do DF, Cleber Monteiro, vice-presidente do Conselho Nacional dos Delegados-Gerais.?Já estamos preparando a próxima. Nosso interesse não é só melhorar a imagem da polícia, mas também aumentar a confiança da população e dar uma resposta à sociedade?, afirmou. A decisão de fazer uma blitze nacional com a participação de todas as Polícias Civis foi tomada em fevereiro, quando o conselho se reuniu em São Paulo. Ao todo, cerca de 30 mil policiais participaram.Na ação das polícias, 401 quilos de cocaína e 467 armas foram apreendidos e 896 autos de prisão em flagrante foram feitos. Os policiais revistaram 62 mil pessoas e 41 mil carros em todo território nacional.As polícias não sabiam dizer quantos dos 2.757 detidos ainda estão presos. Sabe-se que 1.243 pessoas foram soltas porque cometeram crimes de menor poder ofensivo. Em São Paulo, ocorreu a maioria das prisões feitas no País: foram 1.894. A nova operação das Polícias Civil não tem data para ocorrer. Mais uma vez, todas as delegacias elegerão um alvo e cumprirão mandados de busca e de prisão simultaneamente. OuvidoriaEnquanto as polícias divulgavam o balanço, a Ouvidoria da Polícia de São Paulo informava que pediu à Corregedoria da Polícia Civil a abertura de investigação sobre as mortes ocorridas na megaoperação. Ocorreram três casos reconhecidos pela polícia no Estado. ?Recebemos informações e repassamos à corregedoria?, afirmou o ouvidor Antônio Funari Filho.Em um dos casos, ocorrida no Jabaquara, na zona sul de São Paulo, o adolescente Anderson de Barros Santana, de 16 anos, teria implorado para não ser morto e estaria desarmado. Segundo policiais do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), ele estava armado com uma submetralhadora e resistiu à prisão.Na região de Itararé, no sul do Estado, Sidnei Dionísio Mendes foi baleado depois de atacar com uma enxada os policiais que tentavam prendê-lo. Mendes foi atingido no braço e na perna e foi levado pelos policiais à Santa Casa de Itararé, No caminho, porém, o pneu da viatura furou, o que atrasou o socorro. Por fim, a Ouvidoria quer a apuração da morte de um homem acusado de ser um dos maiores ladrões de notebooks do Estado. ?Vamos acompanhar todos esses casos?, afirmou o ouvidor.Outra morteUma quarta morte ocorrida também durante a megaoperação deverá ser apurada pela Ouvidoria. O caso aconteceu em Nova Granada, a 471 quilômetros a noroeste de São Paulo. Na manhã do dia 23, Regislaine Gonçalves da Silva, de 27 anos, morreu de parada cardíaca depois de dar entrada na Santa Casa da cidade.A suspeita é de que ela teria tido uma overdose depois de engolir pedras de crack, na manhã do dia 23, quando policiais entraram em sua casa, no Jardim Estação, para fazer uma revista à procura de drogas.Segundo relatos de familiares, Regislaine foi surpreendida pela polícia quando saía de manhã em busca de um atestado de antecedentes criminais. Os policiais retiraram os filhos de Regislaine do quarto e passaram cerca de 20 minutos com ela dentro da casa. Quando saíram, o filho de 10 anos entrou no imóvel e viu a mãe se debatendo. Regislaine foi atendida na Santa Casa.O delegado Vinicius Antonio de Carvalho, que comandou a blitze, não foi localizado para falar sobre o assunto. O delegado Pedro Curti Filho afirmou que Regislaine morreu depois da blitze. Números>> 2.422 adultos foram detidos num único dia durante a megaoperação nos 26 Estados e Distrito Federal;>> 401 quilos de cocaína e 467 armas foram apreendidos.>> 1.894 prisões foram realizadas somente no Estado de São Paulo. Trinta mil policiais atuaram na sexta-feira>> 4 mortes que ocorreram durante a ação em São Paulo serão investigadas. Três já estão sendo apuradas pela Ouvidoria da Polícia de São Paulo. A quarta morte já foi denunciada. Colaborou Chico Siqueira.

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