MARLON COSTA/FUTURA PRESS
MARLON COSTA/FUTURA PRESS

Megarroubo no Recife reproduz ações vistas em SP

Grupo usou explosivos e armamento pesado para assaltar empresa de transporte de valores; valor roubado foi de aproximadamente R$ 60 mi

Monica Bernardes, Especial para O Estado

22 Fevereiro 2017 | 00h26

Um assalto a uma transportadora de valores terminou em tiroteio na madrugada desta terça-feira, 21, na zona oeste do Recife. Em ação cinematográfica, com armamento pesado e explosivos, criminosos atacaram a sede da empresa de transporte de valores Brinks. Com a recente onda de crimes desse tipo, sobretudo em São Paulo, o Brasil já é o País mais perigoso para o setor, segundo a associação que representa as empresas. 

O valor roubado, informou a Polícia Civil, foi de aproximadamente R$ 60 milhões. Segundo informações do 12.º Batalhão da Polícia Militar, o grupo era formado por ao menos 20 homens. Por volta das 2 horas, eles cercaram todo o entorno da empresa e bloquearam os acessos das ruas próximas, ateando fogo em veículos estacionados. Vários carros, casas e um posto de gasolina ficaram parcialmente destruídos. O grupo explodiu o muro da loja de conveniência de um posto de gasolina para ter acesso ao cofre da Brinks.

Na fuga, os bandidos passaram por uma blitz do Batalhão de Policiamento de Trânsito e entraram em confronto com os agentes. Moradores dos bairros Estância e Jiquiá relatam momentos de pânico, com mais de uma hora de troca de tiros. Entre as armas usadas pelos bandidos, havia fuzis AK 47. Três agentes ficaram feridos, mas sem risco de morte. 

“Parecia que o mundo ia acabar. Era tiro para todo lado. Muita gente entrou em desespero. Moradores correndo para baixo de camas e para cômodos sem janelas, com medo de bala perdida”, contou o professor Isaías Dias, de 43 anos. Ele mora a pouco mais de 500 metros da empresa atacada. “Era tanta explosão que eu achei que o prédio ia cair.”

Desde a manhã desta terça, cerca de 300 policiais civis e militares fizeram buscas pelo grupo na cidade. O governo pernambucano disse que o assalto não põe em risco a realização das festas de carnaval. Procurada, a Brinks limitou-se a dizer que vai colaborar com as investigações. 

Investigação. Para Márcio Christino, procurador de Justiça em São Paulo especializado em crime organizado, a forma como os bandidos agiram no Recife indica que o assalto pode ter sido cometido por membros da mesma organização criminosa que assaltou a sede da Protege, em Campinas, e da Prosegur, em Santos e Ribeirão Preto, no ano passado.

“É razoável concluir que o modus operandi e os instrumentos pouco usuais usados nesta ação indicam o envolvimento de um mesmo grupo criminoso, se não completamente, com alguns integrantes da mesma quadrilha que executou os assaltos em São Paulo.”

Investigações do Departamento de Investigações Criminais da Polícia Civil paulista apontaram que o Primeiro Comando da Capital (PCC) é o responsável pelos três grandes roubos a empresas de transportes de valores ocorridos no primeiro semestre de 2016, no valor de R$ 138 milhões.

Christino acredita que é possível que as quadrilhas tenham migrado para outros Estados com menor estrutura de combate a esse tipo de crime após o cerco policial e o aumento da segurança nas empresas em São Paulo. Para ele, é preciso haver troca de informações entre as polícias paulista e pernambucana para acelerar a apuração do caso./ COLABOROU FABIO LEITE

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