Megatraficante é condenado a 30 anos

Juan Carlos Abadía pega pena máxima e terá de pagar multa de R$ 4,3 milhões; mulher e outros comparsas também recebem sentença

Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

02 Abril 2008 | 00h00

A Justiça Federal condenou ontem o megatraficante Juan Carlos Ramírez Abadía a 30 anos, 5 meses e 14 dias de prisão e multa de R$ 4.320.600,00 por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, uso de documento falso, falsificação de documento público e corrupção ativa qualificada. Além do colombiano, sua mulher, Yessica Morales, e o braço direito do traficante no País, o piloto Luiz Telles Barcellos, cumprirão suas penas (a dela de 11 anos e 6 meses e a do piloto de 23 anos e 6 meses) em regime fechado. Outros sete comparsas do traficante e dois agentes públicos foram condenados a penas de até 9 anos e 2 meses de reclusão, mas no semi-aberto - o fiscal da Anac Ângelo Reinaldo Fernandes Cassol e o agente da Polícia Federal Adilson Soares da Silva também perderam o cargo público. Embora reconheça que Abadía é "tecnicamente primário" no Brasil, o juiz Fausto Martin De Sanctis, titular da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, pontua os motivos que o levaram a dar pena máxima ao traficante. Cita a "conduta (...) de maior reprovabilidade", a "personalidade vocacionada à prática de crimes graves" e pelo colombiano mostrar-se "de uma individualidade ímpar, egocêntrico desmedido, que se desvincula facilmente dos parâmetros sociais para satisfação de benefício econômico próprio e de sua esposa."Até as intervenções cirúrgicas que deformaram a fisionomia de Abadía foram lançadas na sentença como comprovação de culpa - serviram "para permitir a prática delituosa por vários anos" no País. Em relação à mulher do traficante, o juiz rejeita as alegações de submissa e que por isso não sabia que a "vida nababesca" que levava era fruto do dinheiro do cartel de drogas colombiano. O advogado de Abadía, Luiz Gustavo Bataglin Maciel, afirmou que a pena "extrapola os limites da razoabilidade". "Meu cliente é réu primário no Brasil, colaborou com a Justiça de forma espontânea, concreta, confessou seus crimes, colaborou com as investigações e abriu mão de seus bens." Ele disse que vai "recorrer e o Tribunal deve reformar a sentença e corrigir os excessos praticados". Mesmo com o pedido de extradição para os Estados Unidos aprovado no Supremo e com o desejo de reduzir a condenação do traficante, Maciel, que visitou Abadía na prisão no fim da tarde de ontem, afirmou que o cliente demonstrou o desejo de cumprir boa parte da pena no Brasil. "Pelas garantias que tem aqui, como atendimento médico, tratamento humanitário e visita de familiares." Na decisão, o juiz se posiciona contrário à extradição antes do cumprimento da pena. Disse que isso posicionaria o Brasil como um "paraíso penal" .O magistrado decretou o perdimento dos bens em favor da União. À PF destinou veículos, equipamentos e R$ 1,6 milhão. Outros veículos foram destinados a instituições de caridade, que também ficarão com o dinheiro da venda dos bens restantes da quadrilha em bazar.

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