Meirelles continua a influir

Meirelles continua a influir

A decisão do presidente Henrique Meirelles de permanecer no cargo encerra uma batalha da pré-campanha governista em que o derrotado foi o presidente Lula. O PMDB se impôs ao Presidente, e não a Meirelles, que não tinha historicidade para emergir como representante dos interesses e estratégias do partido.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2010 | 00h00

A chance de Meirelles repousava na teoria de que seria o avalista da estabilidade econômica num governo do PT sem o poder moderador de Lula.

Na verdade, uma tese alimentada pelo próprio Lula para encobrir o seu verdadeiro medo: o de um PMDB excessivamente forte ao lado de uma eventual presidenta sem biografia partidária, através da qual pretende exercer o terceiro mandato.

A pesquisa que trouxe José Serra nove pontos à frente da ex-ministra deu a Michel Temer o argumento final para consolidar-se: Dilma precisa de um vice com força política e eleitoral.

Acreditar em desfecho diferente valeu a Meirelles a crítica de um economista politicamente ingênuo, que ele rechaça. Diz que sua motivação ao aceitar a hipótese é a mesma que o faz considerar a opção por uma carreira política: manter a influência na condução da política econômica.

Papel que está certo que pode desempenhar no futuro governo, seja ele qual for, pelos resultados obtidos à frente do Banco Central e pela afirmação de sua autoridade econômica no contexto mundial.

Intervenção à vista

Único nome fora da Câmara Distrital lançado para disputar a eleição indireta ao governo de Brasília, o advogado Reginaldo de Castro renunciou à candidatura. Ex-presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, ele sucumbiu às concessões impostas para ter o apoio das cúpulas partidárias. A desistência coincide com a declaração de Durval Barbosa, ex-secretário do governo Arruda e colaborador da Polícia Federal, de que suas denúncias ainda não produziram sequer 10% dos efeitos esperados. O episódio autoriza a suposição de que a eleição, marcada para o próximo dia 17, pode ser atropelada por fatos ainda ignorados pela população, mas já sob guarda das autoridades judiciárias. Tal contexto reforça a perspectiva de intervenção, sobretudo, porque a Câmara insiste em manter Wilson Lima, seu ex-presidente, no lugar de Arruda.

Reação ao MST

Diante do anúncio do "abril vermelho", a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) estuda a formação de uma frente político-jurídica para penalizar o MST e impor um desgaste eleitoral a Dilma Rousseff, vinculando as ações dos sem-terra a Lula.

Purismo

O Partido Verde repete o PT dos velhos tempos na resistência a alianças em nome de um purismo que manteve o PT no insuficiente patamar dos 30% por décadas e agora ameaça o êxito da oposição no Rio.

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