Meirelles decide ficar no comando do BC

Meirelles decide ficar no comando do BC

Inviabilizado politicamente para disputar as eleições de outubro, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, anunciou ontem seu "Dia do Fico". Ele disse querer contribuir para preservar a "racionalidade econômica" no País e consolidar a estabilidade em ano eleitoral.

Fabio Graner e Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2010 | 00h00

Após uma semana de intensas discussões políticas, Meirelles decidiu atender à preferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ficar no comando da autoridade monetária. O sonho que o acalentava nos bastidores era de compor como vice a chapa da ex-ministra Dilma Rousseff (PT) na eleição presidencial.

A segunda opção do presidente do BC era disputar o governo de Goiás. Ele também trabalhava com a ideia de concorrer ao Senado, mas esse cargo era considerado um "prêmio de consolação".

Apesar de ter tentado até quase o último minuto, Meirelles não conseguiu construir dentro do PMDB um caminho certo para suas alternativas preferidas.

Na entrevista convocada depois do fechamento dos mercados, que durou cerca de 45 minutos, Meirelles negou ter sofrido derrota política e, por isso, ter decidido ficar no BC. Também negou que tenha se colocado a hipótese de ser vice de Dilma.

Segundo ele, não faltou apoio do PMDB para uma candidatura ao governo de Goiás ou ao Senado pelo Estado. "Tive apoio integral do PMDB", afirmou Meirelles, um novato no partido, que disse que a decisão tomada por ele foi "muito difícil".

Questionado se apoiaria o presidente do PMDB, Michel Temer, para a vaga de vice na chapa de Dilma, Meirelles se esquivou da resposta e não manifestou apoio explícito. "No momento, estou dedicado à política monetária. O desafio é completar o trabalho já feito e a implementação da estratégia de saída da crise nesse ano de eleições", afirmou.

"Vencedor". Meirelles disse que seu projeto no Banco Central é "vencedor" e que a melhor maneira de assegurar essa saída da crise é ficando no cargo.

Ele foi várias vezes questionado se chegou a discutir com Lula o nome de um sucessor para sua vaga no BC. Indagado sobre os boatos de que teria preferido ficar no cargo temendo que o secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, fosse indicado para sua vaga, Meirelles disse que o "fato concreto" é que ele não chegou a discutir com Lula o nome de um sucessor e afirmou ter certeza de que o presidente tomaria a decisão adequada.

O argumento principal usado por Meirelles para justificar sua permanência no BC foi o de que, nesse cargo, poderia contribuir mais para consolidar a estabilidade e para a racionalidade do debate econômico. O presidente do BC disse que "nunca teve ambições políticas" e que considerou a "opção política" apenas como um meio para colaborar para a consolidação do crescimento da economia em bases sustentáveis.

Repetindo discurso proferido na véspera, na cerimônia de comemoração dos 45 anos do BC, Meirelles afirmou: "Meu maior objetivo é colaborar para a perenização da estabilidade."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.