Meirelles deixa BC para concorrer ao Senado

Meirelles deixa BC para concorrer ao Senado

Mas pesquisa do Datafolha fortaleceu expectativa por parte do presidente do Banco Central de integrar chapa de Dilma Rousseff no posto de vice

Fernando Nakagawa e Sônia Racy, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2010 | 00h00

Os nove pontos de vantagem que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), abriu sobre a ministra Dilma Rousseff (PT), segundo pesquisa Datafolha divulgada no sábado, redobraram no presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a expectativa de sair da instituição nesta semana e se tornar candidato a vice na chapa da pré-candidata do PT ao Planalto.

O Estado apurou que Meirelles deixa o BC na condição de político filiado ao PMDB que, formalmente, vai disputar uma vaga ao Senado por Goiás. No fim de semana, às vésperas do prazo final para a desincompatibilização do cargo, Meirelles esteve em Goiânia e consultou a família sobre a decisão de deixar o BC e voltar à vida pública, enfrentando mais uma campanha. Em 2002, ele foi o deputado federal mais votado de Goiás, elegendo-se pelo PSDB. Logo depois, embora as urnas o tivessem transformado em um banqueiro tucano, o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, escolheria seu nome para assumir a presidência do BC do governo petista de Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao Estado, Meirelles afirmou ontem que a decisão de deixar o BC "só será tomada nos próximos dias''. Assessores do Planalto dizem que o martelo será batido após encontro, nesta semana, com o presidente Lula, mas, na prática, a conversa final seria apenas "uma despedida". O nome do economista gaúcho Alexandre Tombini, 46 anos, diretor de Normas, continua sendo o mais cotado para substituí-lo no comando do BC.

"Essa é uma decisão de foro pessoal. Diria até que é uma decisão simples, pois só existem duas alternativas: fico ou não", disse Meirelles no início da tarde de ontem, entre uma visita familiar e um almoço de confraternização em Goiânia. Se sair, poderá retornar à iniciativa privada ou continuar na vida pública.

Nas últimas semanas, o ex-presidente mundial do BankBoston voltou a mencionar em conversas particulares a possibilidade de retornar ao mercado. Mas a alternativa mais tentadora, com larga vantagem, ainda é a vida política e a disputa eleitoral.

Ainda que de maneira monossilábica, o presidente do BC comentou a nova pesquisa de intenção de voto. Para ele, o resultado, mostrando que José Serra subiu de 32% para 36%, enquanto Dilma oscilou dentro da margem de erro, de 28% para 27%, aponta uma "acomodação natural" da candidata do PT.

Entre os defensores do nome de Meirelles como candidato a vice na chapa de Dilma, incluindo aí o próprio Lula, predomina a avaliação de que o presidente do BC poderia trazer apoio do mercado financeiro à candidata petista. Ele desempenharia em 2010 o papel exercido pelo empresário José Alencar na candidatura vitoriosa de Lula em 2002 ? uma espécie de avalista da manutenção das regras econômicas.

Enfrentando resistências entre os próprios peemedebistas, por ser recém filiado, e um calendário eleitoral desfavorável, que o obriga a sair agora do governo, mas que joga para junho a definição do candidato a vice, Meirelles terá que abraçar o plano alternativo de ser, por enquanto, candidato ao Senado.

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