Melhor padeiro de SP trabalha na Vila Carrão

Com receita de pão-lasanha, funcionário de padaria desconhecida da zona leste ganha seletiva estadual de concurso

Humberto Maia Junior, O Estadao de S.Paulo

09 de novembro de 2007 | 00h00

O melhor padeiro do Estado de São Paulo está longe das luxuosas boulangeries dos Jardins, nunca passou pelas escolas de confeitaria da França nem ostenta prêmios. Marcos Medeiros de Castello, de 32 anos, trabalha numa desconhecida padaria no Jardim Vila Carrão, zona leste da capital. Com seu pão-lasanha, derrotou outros nove finalistas na etapa estadual da 2ª Copa Bunge de Panificação. No dia 28, o padeiro vai ao Rio disputar o título nacional.Castello é uma pessoa simples. Parou de estudar na adolescência e não foi além do primeiro ano do ensino médio, quando, aos 15 anos, conseguiu emprego de balconista na padaria D?Jardim Pães e Doces, onde trabalha atualmente. Precisava ajudar a mãe e os quatro irmãos, que viviam num barraco. Nem pensava em se tornar padeiro. "Eu mexia muito com desenho e queria mesmo ser publicitário", recorda.Pensava que assar pão era "coisa de mulher". Só depois de ver que o serviço era feito por homens é que ele sentiu vontade de ser padeiro. Até que seu colega, o Marcão, foi chamado para ser auxiliar na cozinha. "Mas ele queria ficar no balcão para ver as meninas", conta. No fim, conseguiu trocar de função com o amigo.O patrão de Castello dizia que iria dar oportunidade como padeiro somente se ele fizesse um curso. Mas, em 1992, com a morte da mãe, ele relaxou no trabalho e voltou ao balcão, mas acabou deixando a D?Jardim para trabalhar num hipermercado, também na padaria. "Voltei com força. Tinha de aproveitar a oportunidade." Em 1997, finalmente decidiu fazer um curso de confeitaria no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e outro de decoração de bolos na Faculdade de Tecnologia em Hotelaria, Gastronomia e Turismo de São Paulo.A receita do tal pão-lasanha surgiu em junho. Ele se lembrou do pão com carne moída feito na panificadora do hipermercado onde trabalhou. Acrescentou outros ingredientes comuns a uma lasanha, colocou soja ("é saudável e não tem o gosto horrível que muitos pensam") e trocou a massa de pão doce por ciabatta. Por R$ 4, pode ser saboreado com exclusividade na Rua Hiran Leite de Abreu, 921.

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