Melhora situação nos principais aeroportos brasileiros

No quinto dia consecutivo da crise aérea, as esperas e as filas diminuíram neste domingo, 24, véspera de Natal, nas Regiões Norte, Sul e Nordeste do País. Os Aeroportos de Congonhas e Cumbica, em São Paulo, Tom Jobim, no Rio, e Juscelino Kubitschek, em Brasília, ainda registraram tumultos durante a madrugada e a manhã. A situação só começou a se normalizar por completo na parte da tarde. As companhias e o governo voltaram a garantir que os problemas nos aeroportos não se repetirão no fim de ano.A melhora deste domingo foi resultado de dois fatores: o movimento naturalmente menor na véspera do Natal e o aumento do número de vôos. No domingo passado, segundo dados da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), foram registrados 181 partidas nos principais aeroportos do País entre zero hora e 10h30. Neste domingo, no mesmo período, a agência contabilizava 539 vôos, quase o triplo. A maior oferta de assentos e a menor demanda permitiu à TAM, responsabilizada pelo caos, reduzir as filas nos balcões de check-in. Mas nem usando 15 aeronaves extras (7 da FAB e 8 de empresas concorrentes), a TAM conseguiu eliminar totalmente as filas e a irritação de passageiros nos aeroportos. Pessoas ligadas ao governo afirmaram que a companhia "perdeu o controle" sobre sua grade de vôos. A informação preliminar, que será alvo de investigação, é de que só no sábado 23 vôos charters estavam programados para diversos pontos do País, deixando os demais vôos comerciais sem aeronaves. A companhia negou as acusações.De acordo com boletim divulgado nesta noite pela Agência Nacional de Aviação Civil, dos 1.023 vôos programados entre a meia-noite e às 17 horas, 424 sofreram atrasos de mais de uma hora, o que representa 41,45%. Outros 106 vôos foram cancelados. Apesar do índice ainda estar alto, a situação estava melhor em comparação com sábado, 23, quando ocorreram atrasos em 55% dos vôos, ao maior índice desde que a Anac começou a divulgar balanços diários, dia 27 de novembro.O aeroporto com maior número de problemas com horários foi o Internacional de Cumbica, em Guarulhos, que teve atrasos em 82 vôos, dos 142 previstos. Em seguida ficou o Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio, com 37 vôos atrasados, dos 85 que deveriam circular. Já em Congonhas,na zona sul de São Paulo, 30 dos 153 vôos previstos estavam atrasados e nove foram cancelados.Ainda segundo o comunicado da Anac, para garantir a volta da normalidade da empresa TAM, o Governo Federal deixou disponível um Boeing 707 da FAB para atender passageiros da TAM. Com relação ao aumento do número de vôos cancelados, a Anac informou que eles se devem, em sua maioria, pela reorganização da malha aérea e à readequação dos horários dos vôos. Filas nos balcões e confusões Com exceção dos balcões da TAM, onde as filas permaneciam longas, mas bem abaixo do que nos últimos dias, os guichês das outras companhias aéreas estavam praticamente vazios no Aeroporto Internacional Juscelino Kubistcheck, em Brasília, no início da noite. No Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, 16 chegadas estavam atrasados por volta das 17 horas. Ao meio-dia eram 22. No check-in da TAM, a fila diminuiu bastante em comparação com o início da tarde. Segundo boletim da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), dos 539 vôos registrados até as 10 horas, 11 vôos estavam atrasados em Cumbica. Em Congonhas, que operou até as 3 da manhã, foram registrados sete atrasos e um cancelamento até o final da manhã. Por volta das 17 horas, o saguão do local estava praticamente vazio, o mesmo que nos guichês da TAM. Segundo o painel do aeroporto, a partir das 17 horas, todos os vôos programados estavam confirmados para seus respectivos horários.Já no aeroporto internacional Antônio Carlos Jobim, o Galeão, no Rio, não havia filas enormes para o check in da TAM, diferentemente dos últimos quatro dias de caos e o saguão estava praticamente vazio durante toda manhã. O motivo: o número de vôos programados para partir e chegar foi menor neste domingo, informou a Infraero. Mas a madrugada deste domingo foi tumultuada. Revoltados com o atraso e a falta de informação, passageiros que estavam na área restrita de embarque tentaram invadir uma aeronave, por volta de 4 horas. Acionados, policiais federais e seguranças da TAM resolveram a questão. Ninguém foi preso. Durante a confusão, uma passageira passou mal e foi atendida por uma equipe médica da Infraero. Os passageiros voltaram a reclamar da prática de overbooking (venda de passagens em número superior ao de vagas em vôos) da TAM, da falta de informação, das malas extraviadas e dos vôos atrasados. Um grupo, por exemplo, esperou 23 horas para embarcar para Teresina - o vôo decolou somente às 5 horas. Movimento em Porto AlegreAo contrário do que ocorreu pela manhã, na metade da tarde deste domingo aumentou o número de vôos em atraso no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre (RS). Na situação das 12h30, havia apenas sete vôos com atraso superior a uma hora, em relação ao horário previsto de chegada ou saída. Já às 15h20, eram 15 vôos nessa condição, sendo sete de chegada, com dois cancelados, e oito de partida, com outros três cancelados.Entre as chegadas, a pior situação às 15h20 era do TAM 9747 com origem em Porto Seguro (BA), que tinha previsão de pouso às 13h15, mas foi remarcado para às 21h. Nas partidas, o vôo TAM 9746, no sentido inverso, de Porto Alegre a Porto Seguro, tinha previsão de saída às 6h15 e horário marcado para deixar o aeroporto às 14h15, que já tinha sido ultrapassado. O vôo aparecia no sistema de acompanhamento da Infraero sem situação definida.Anac e TAM No primeiro boletim do dia, distribuído no início da tarde, a Anac responsabilizou a TAM por "todos" os atrasos e cancelamentos de vôos nestes aeroportos. De acordo com fontes do governo, a empresa não tinha avião para transportar o número de passageiros que compraram passagens da companhia e o principal motivo desta falta de aeronaves, foi a quantidade de vôos charters programados pela TAM, principalmente para Nordeste, vendidos por agências de turismo, em forma de pacote. Por isso, faltou avião para transportar os passageiros de vôos comerciais. Pelo menos 23 charters foram atendidos no sábado.A TAM insistia que os problemas foram conseqüência da quarta-feira da semana passada, quando seis aeronaves apresentaram problemas mecânicos. O diretor de Relações Institucionais da empresa, Paulo Castello Branco, negou que o número de vôos charters tenha prejudicado os vôos comerciais. "É impossível", disse ele, explicando que tudo foi programado pela companhia.O fato é que, mesmo com a volta dos seis aviões, que apresentaram problema e já estariam operando, o que se viu foi uma completa desorganização. Nem mesmo a chegada de 15 aviões extras resolveram o problema, que se estendia pela véspera do Natal. A tendência, no entanto, era de que os tumultos diminuíssem porque para este domingo o volume de vôos charters era pequeno e para o dia de natal, 25, quase nenhum. Mas, a expectativa é de que os problemas voltem a ocorrer no fim de semana que vem, véspera do ano novo. Não se tem idéia, ainda de como a ANAC vai impedir que os problemas se repitam, já que as passagens já foram vendidas. Certamente, terá de ser feita uma nova programação de arrendamento de vôos para atender a demanda de passageiros.Em nota, a TAM rebateu a acusações sobre o uso dos aviões da FAB. "Não é verdade que os vôos com aviões fretados da Força Aérea Brasileira realizados ontem (sábado) tenham sido mal aproveitados. A ocupação dessas aeronaves foi integral a partir de seus aeroportos de origem (Galeão e Brasília) e nem sempre há passageiros de retorno mesmo em dias normais". A utilização dos aviões fretados da Força Aérea Brasileira (FAB) continua neste domingo, explica a nota, para realizar vôos a partir do Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro. Para ajudar a normalizar os atrasos, a venda de bilhetes da empresa continua suspensa para seus vôos domésticos realizados até segunda-feira.Seguindo boletim divulgado no começo da tarde deste domingo, a empresa afirmou que até as 14 horas, atrasos médios nos vôos eram de duas horas, com tendência à normalização até a noite. Esses atrasos estavam concentrados, principalmente, nos vôos que partem de Guarulhos e Brasília. DesajusteO presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, chegou a declarar que houve erro de administração da malha aérea, que levou a um completo desajuste. "Não há dúvida de que, em um determinado momento, teve, do ponto de vista da gestão da malha, uma perda deste controle. Não é controle do ponto de vista técnico, mas de gestão. Você não consegue mais ajustar a necessidade com a capacidade. Este desajuste entre a necessidade e a capacidade ele houve e é claro. Agora, é resolver o problema", disse Zuanazzi, que prometeu, a partir desta terça-feira, se debruçar sobre a central de reservas de cada empresa, para ver se há mais passagens vendidas para o réveillon do que assentos e aviões disponíveis.Colaborou Solange Spigliatti Matéria alterada às 20h50 para atualização de informações

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