Melhorias não chegaram à saúde pública, dizem eleitores

Embora digam que País mudou para melhor, auxiliar de fisioterapia e diarista do DF criticam qualidade de serviços

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2011 | 00h00

Pernambuco, São Paulo, Brasília. O roteiro percorrido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi seguido por um conterrâneo seu, o auxiliar de fisioterapia Ângelo Ronaldo de Oliveira. Funcionário terceirizado na Câmara dos Deputados, Ângelo se sente à vontade para falar de política. Prefere Lula a FHC mas vê avanços na implantação do Plano Real. Evangélico da Assembleia de Deus, acha que ele, a mulher e o País melhoraram, "mas a solução dos problemas só vem de Deus".

Decifrá-lo como eleitor é um desafio para os partidos. Típico classe D em ascensão, Ângelo trocou geladeira e máquina de lavar, viajou de avião e recorre a prestações, mas lembra que não entende muito de direita ou de esquerda. Sobre o Congresso e a política, resume: "Não tenho nada contra nem a favor." Por fim, diz que "Lula fez mais pelo povo (do que FHC)" , mas não o atendeu com voto em Dilma Rousseff, que ele rejeitou "por suas posições polêmicas sobre abortos e gays".

Descrédito. A diarista Juceli de Ribeiro, de 44 anos, vive em Planaltina e viajou de avião pela primeira vez este ano, de Brasília a Vitória (ES), um trajeto que antes ela sempre fez de ônibus.

Seu perfil, nos últimos anos, é típico de uma trabalhadora em ascensão: o filho de 28 anos comprou uma moto, a casa ganhou um computador, ela tem perfil no Orkut.

Sua aversão pela política é marcante: Direita ou esquerda "é tudo a mesma coisa". O Congresso? "É uma vergonha, não vejo nada de bom, não trabalham". FHC: "Pelo que ouço dizer, privatizou tudo e vendeu o País." E o governo Lula "foi puro desânimo pra quem não tem os benefícios do governo".

Em meio a tantas críticas, Juceli toca num ponto vital - o direito que tem como contribuinte. "O transporte está um caos, a saúde uma tragédia. Não vejo o retorno dos meus impostos".

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