Melhorias se restringem a raio de 12 km do centro

Todas as melhorias bancadas por empresas com base nos novos termos de cooperação - da revitalização de bairros ao restauro de esculturas - estão em um raio de apenas 12 quilômetros do centro de São Paulo. As reformas aparecem concentradas em áreas nobres, passagem de milhares de pessoas por dia, os "filés publicitários" de São Paulo. Todas as passarelas que estão sendo reformadas, por exemplo, ficam na região de Pinheiros e em cima das mais movimentadas vias da capital. A instalação de um novo espaço, o Parque do Povo, acontece em uma das mais valorizadas áreas paulistanas, ao lado do novo Shopping Cidade Jardim e da Daslu. Até a adoção de monumentos se restringe ao Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera, esculturas da Sé e de outras praças bem conhecidas dos guias de São Paulo. Até agora ninguém quis bancar uma reforma vultosa na periferia. "O ideal seria que o poder público estabelecesse antes de tudo um plano para orientar como deveria ser a ocupação do espaço público", diz o arquiteto Paulo Bastos, responsável pelo projeto de restauro da Catedral da Sé e especialista em planos de recuperação do patrimônio histórico da capital. "Não se pode deixar que as empresas criem os projetos sem ter um controle sobre eles, pois cabe ao poder público legislar e planejar o urbanismo. As pessoas não gostam dessa palavra, mas é preciso socializar esses termos de cooperação. Os benefícios simplesmente não podem ficar restritos à área rica." Para Bastos, a brecha na Lei Cidade Limpa não deixa de ser válida e possivelmente benéfica - com a proibição total da publicidade externa, os termos de cooperação que já funcionavam para a adoção de pequenas praças poderiam sim ser estendidos para passarelas e bairros inteiros, trazendo melhorias para a cidade. "Só que é preciso controle, acima de tudo, para estabelecer se as placas de publicidade não vão atrapalhar o visual da cidade e se os projetos vão ser realmente bons", afirma. "O fato de a Prefeitura não ter dinheiro em caixa para bancar sozinha as melhorias não exime o poder público de primar pelas reformas." ?GIGOLÔ DE ÁREA PÚBLICA? As próprias empresas de publicidade afirmam que ainda é muito cedo para mensurar a visibilidade das novas placas. "Tudo depende do posicionamento dos anúncios que a Prefeitura autoriza, além do tamanho", diz o presidente da Central de Outdoor, Raul Nogueira Filho, que representa 1.200 empresas do meio no Brasil. "Acredito que o projeto seja viável e propício para este momento que vivemos, tanto que desde o começo da Lei Cidade Limpa nós propusemos a mesma coisa e pessoas da Prefeitura disseram que não iam virar ?gigolôs de áreas pública?. Agora mudaram de idéia. Mas é preciso lembrar que, se ninguém for ver a tal plaquinha da empresa que bancou a reforma, de que vale o investimento?"

O Estadao de S.Paulo

24 Agosto 2008 | 00h00

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