Membros do PNUD se dividem sobre eficiência do Bolsa Família

Para escritório brasileiro, programa é um exemplo sem ressalvas. Em Nova York, visão é de que efeitos são de curto prazo

Lígia Formenti e Leonencio Nossa, O Estado de S. Paulo

24 de julho de 2014 | 02h00

BRASÍLIA - O Bolsa Família divide a opinião de integrantes do Programa das Nações Unidas. Para o escritório brasileiro do PNUD, o principal programa de transferência de renda do governo federal é um exemplo sem ressalvas para ser seguido por outros países. O escritório internacional do organismo em Nova York, no entanto, avalia que a estratégia é eficaz, mas a maior parte de seus efeitos são de curto prazo.

A polêmica foi reconhecida pelo próprio coordenador do PNUD no Brasil, Jorge Chediek. "Temos uma discrepância com nossos colegas que elaboraram o relatório. Há uma visão externa e uma visão de nosso escritório", disse. Chediek afirmou que para o grupo brasileiro, o Bolsa Família é um "piso" importante da rede de proteção social. "O programa está bem desenhado."

Para representantes do PNUD que trabalharam no texto final, no entanto, o Bolsa Família é uma ferramenta especialmente para situações emergenciais. "Mas a nossa avaliação prevalece. O debate está praticamente decidido", afirmou Chediek. Ele ainda comentou a crítica da oposição ao governo brasileiro de que o programa não tem porta de saída. O coordenador do PNUD avaliou que os beneficiários têm dificuldades de sair do programa porque contam com "capital social" muito baixo, vivem em regiões de poucas oportunidades econômicas e não possuem um bom nível educacional. 

Embora faça referências elogiosas ao programa - como garantir a maior permanência de crianças na escola -, os especialistas internacionais da ONU não acompanham a empolgação de Chediek. Eles destacam que o Bolsa Família foi elaborado para resolver problemas a curto prazo. Por outro lado, eles citam efeitos protetores da estratégia comprovados desde a crise de 2008. Foi o programa de transferência de renda, afirmam os autores, que ajudou a reduzir o impacto do aumento de preços registrado após a crise internacional. O programa também teve um peso importante para a queda de 16% da extrema pobreza. 

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