Memorial tem novo centro de convenções

Prédio, subutilizado, abrigava o Parlatino, onde havia apenas duas reuniões por ano

Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2008 | 00h00

O Memorial da América Latina, complexo cultural com nove edifícios na Barra Funda, tem um novo centro de convenções, no prédio onde funcionava a sede do Parlamento Latino-Americano (Parlatino). O edifício circular envidraçado - que era usado apenas duas vezes por ano, nas assembléias da entidade - será utilizado em eventos externos e como local de apoio às atividades da Fundação Memorial."Será a revitalização de um local que estava sendo subutilizado", disse o presidente da Fundação Memorial da América Latina, Fernando Leça. A decisão foi tomada anteontem pelo Conselho Curador da entidade, que aprovou o projeto. "Os primeiros eventos, em caráter experimental, já foram realizados no local, como o seminário 1968: Ecos na América Latina, na semana passada", disse Leça. As secretarias da Cultura e da Justiça também reservaram o centro de convenções para agosto. O prédio - de 6,7 mil metros quadrados, projetado por Oscar Niemeyer, como todo o complexo do Memorial -, segundo técnicos que elaboraram o projeto, tem estrutura para eventos de grande porte. No andar térreo do edifício circular de vidros negros há um auditório para 546 pessoas e um espaço para pequenas exposições e coquetéis. No segundo e terceiro andares ficam 19 salas, com capacidade de 10 a 160 pessoas. No terceiro andar há um miniauditório, com capacidade para 53 pessoas. O único pavimento que não será utilizado como espaço de convenções é o quarto andar, onde fica a sede da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência."Embora fosse pouco utilizado, o Parlatino já tinha equipamentos como sistemas de som, de projeção e possibilidade de tradução simultânea." O único gasto adicional será com manutenção, que será feita por meio de aditivos aos contratos licitados já existentes. A estimativa do Memorial é de que, em seis meses, o Centro de Convenções se torne auto-suficiente - diferentemente do Parlatino, que recebia cerca de R$ 5 milhões anuais do governo do Estado.Desde o início do ano, o Conselho do Memorial se reunia para discutir alternativas para o edifício. Um dos pontos fortes para convencer o Conselho, segundo Leça, foi o bom relacionamento do Memorial com embaixadas, consulados, câmaras de comércio e instituições culturais - potenciais clientes do novo centro -, adquirido desde a inauguração do complexo, em 1989. Como argumento, também foi utilizada uma pesquisa de 2007 do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), que mostra o número de eventos que São Paulo recebe ao ano: cerca de 90 mil - uma média de um evento começando na cidade a cada seis minutos."E não podemos esquecer do projeto original", afirma Leça. Ele se refere aos documentos da época de construção do complexo, assinados pelo escritor Fernando Morais, então presidente do Conselho, nos quais verifica-se que a função original do edifício era exatamente um centro de convenções. "O prédio era tratado exclusivamente assim, como centro de convenções. Em outras gestões é que foi cedido ao Parlatino. Agora, quase 20 anos depois, finalmente teremos a realização do projeto original."

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