André Dusek/AE
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Mendes Ribeiro assume vaga do ''professor'' Rossi

Novo ministro assume pasta da Agricultura e diz querer ''aprender'' com seu antecessor no cargo, que pediu demissão sob suspeita de corrupção

Tânia Monteiro / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2011 | 00h00

Próximo da presidente Dilma Rousseff, mas que tinha ficado de fora da montagem inicial do governo, o deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS) assumiu ontem a Agricultura dizendo que pretende "aprender" com o trabalho do ex-ministro Wagner Rossi, que deixou a Esplanada envolvido em suspeitas de corrupção. Mendes também disse não fará "faxina" na pasta.

Depois de visitar o Planalto, o futuro ministro disse que a prioridade na sua gestão será "ouvir". "Pretendo aprender muito para poder ajudar", afirmou, logo depois de ter sido confirmado pela Presidência para o cargo. Ele disse que conversou na quarta-feira por telefone com a presidente Dilma Rousseff, que o convidou para o cargo, e hoje à tarde se encontrará com ela no Palácio do Planalto.

Mendes Ribeiro disse que vai assumir a pasta com muita cautela, pois aprendeu isso na vida pública. Ele lamentou ter saído da liderança do governo no Congresso sem ter conseguido levar adiante e aprovar o programa de acesso à informação pública, que é de interesse da presidente.

Sobre o fato de não ser profundo conhecedor da área agrícola, disse que "tem muito que aprender" e vai procurar o ex-ministro Wagner Rossi para tratar do assunto. "Quero aprender com ele", disse. Mendes Ribeiro elogiou Rossi pelo "extraordinário trabalho" na Agricultura e agradeceu o apoio do partido à sua indicação.

"Faxina". Indagado se vai fazer uma "faxina" no ministério, diante das denúncias de irregularidades, Mendes Ribeiro disse que quem faz investigações são os órgãos responsáveis por esse tipo de trabalho.

"Eu tenho de falar sobre números e olhar para a frente para ajudar a crescer a agricultura no País." A substituição rápida e avalizada pelo vice-presidente Michel Temer não provocou tensões no PMDB nem no PT. O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), afirmou que a indicação tem o aval da cúpula e do partido como um todo. "(Mendes Ribeiro) tem o apoio incondicional do partido, mais do que nunca o PMDB está unido, temos demonstrado isso, sobretudo nos últimos dias", declarou. E disse que Wagner Rossi deixou a pasta "sem que se conhecesse fato que o desabonasse".

Segundo Renan, o ex-ministro "pacientemente respondeu a todas as perguntas que lhe fizeram". Mas o desgaste público com as denúncias, que passou a atingir seus familiares, o levou a pedir demissão. Rossi deixou o cargo pressionado por acusações de corrupção e tráfico de influência. Uma das denúncias dizia que o lobista Júlio Fróes teria à sua disposição uma sala no Ministério da Agricultura para articular negócios. Em outra , foi revelado que Rossi viajou num jatinho da Ourofino Agronegócio, empresa que vende vacinas para a febre aftosa desde 2010 e tem outros negócios com o governo federal.

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