Menina de 13 anos é morta em operação da PM no Rio

Uma estudante de 13 anos morreu atingida por uma bala perdida durante um confronto entre policiais e traficantes na manhã desta segunda-feira, 5, no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na zona norte do Rio.Alana Ezequiel, cujo aniversário seria em sete dias, foi baleada no tórax. Ela acabara de deixar a irmã de dois anos na creche e voltava para casa, por volta das 7h30. Outros dois menores apontados pela polícia como traficantes também foram mortos. Nathan Silva dos Santos, de 16 anos, atingido no baço e no tórax morreu em confronto com a polícia.Renan de Jesus Ramos, de 17 anos, atingido no ombro esquerdo e no braço direito, chegou vivo ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Além deles, Marcos Paulo Meireles da Silva, de 19 anos, foi ferido com um tiro na cabeça e está em estado grave.Socorrida por moradores, Alana chegou a ser reanimada por massagens cardíacas no setor de emergência do Hospital do Andaraí, onde chegou às 8h15, e foi encaminhada para o centro cirúrgico, mas morreu 40 minutos depois.Ao receber a notícia no pátio do Hospital do Andaraí, a mãe da menina, a empregada doméstica Edna Ezequiel, entrou em estado de choque. Amparada por parentes, tentou ver o corpo da filha, mas foi barrada por seguranças. Após muita insistência, ela entrou no local, mas não recebeu auxilio de nenhuma assistente social."Mataram minha filha. Ela era estudante", repetia Edna.As aulas na Escola Municipal Assis Chateaubriand onde ela estudava foram suspensas, assim como em todos os colégios próximos ao Morro dos Macacos. "Edna é muito simples, mas educava os cinco filhos com mão-de-ferro. Todos estudam. A rotina da Alana era deixar a irmã na creche, fazer o dever de casa e ir para a escola à tarde. Neste carnaval desfilou pela Herdeiros da Vila, a escola de samba mirim da Vila Isabel", contou o auxiliar de estoque Cosme Moreira de Jesus, de 40 anos, vizinho da família.Ação da políciaCom o apoio do carro blindado conhecido como "caveirão", os policiais chegaram ao morro por volta das 6 horas e foram recebidos a tiros. Após intenso tiroteio, foram apreendidos uma pistola PT-380, um revólver calibre 38, uma granada, cinco quilos de cocaína, três quilos de maconha, cinco litros de lança-perfume e uma balança digital.Uma hora depois, ao final da operação, o veículo blindado da PM fez nova busca por drogas e armas abandonadas por traficantes durante o confronto nas ruas de acesso ao morro e foi novamente atacada por tiros."Os policiais reagiram. Ficamos entre eles e os marginais. Consegui me esconder dos tiros atrás de um carro. Quando olhei para a rua, vi a menina caída com a mão erguida. Fui até ela, que disse: ´Moço, me ajuda´", contou o eletricista Jorge Souto, de 22 anos, que socorreu Alana.Com a calça e a camisa machadas de sangue, ele prestou depoimento e disse que foi um dos trabalhadores do morro que se atrasou para o trabalho por causa do tiroteio. "Saí de casa, pois achei que a situação estava mais calma. Ela (Alana) deve ter pensado o mesmo", afirmou Souto.De acordo com o comandante do 6º Batalhão de Polícia Militar, Roberto Alves de Lima, o objetivo da operação realizada às 6 horas era prender traficantes que estariam praticando roubos na região. Apesar de se tratar de um horário típico da saída para o trabalho e escola, ele garantiu que ação foi planejada."Fizemos um trabalho de análise na semana passada e verificamos que entre 6 horas e 7h30 era um horário de ausência de moradores no local e coincidia com a hora dos assaltos, conforme nos passou o Disque-Denúncia", disse o comandante. A 20ª Delegacia de Polícia (Vila Isabel) informou que abriu inquérito para investigar as mortes.Texto ampliado às 17h50

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