Menina de 4 anos é detida após acertar pedra em amigo

Um acidente durante uma brincadeira de crianças terminou com a menina J.C.C.S., de apenas quatro anos, sendo levada no último domingo para uma delegacia, em Belo Horizonte, acusada de causar "lesões corporais" em um garoto da mesma idade. Da "operação" participaram seis policiais e três carros policiais da 18ª Companhia do 13º Batalhão da Polícia Militar mineira.Assustada, J.C.C.S. foi levada para o 4º Distrito Policial em um camburão, junto com o pai, o auxiliar administrativo Edvaldo Souza Júnior, de 35 anos. Após cerca de três horas, um boletim de ocorrência foi registrado e pai e filha foram liberados."Dentro do camburão ela chorou e ficou me perguntando: `Papai eu estou presa?´", contou nesta quinta-feira, 11, o auxiliar administrativo, que teme que a menina fique traumatizada e decidiu denunciar o episódio. "Desde então ela tem sonhado muito com isso."De acordo com Edvaldo, por volta das 15 horas de domingo, a filha brincava com o coleguinha T.J.C. num parque do bairro Floramar, região norte da capital mineira.Em determinado momento, chorando e com um corte na testa, o menino correu para a mãe, Rosalina Cândida Costa, e disse que um rapaz havia lhe agredido. Rosalina então acionou um carro policial que passava pelo local. Mas pouco depois, o caso foi esclarecido e a menina revelou o que tinha acontecido. Ela pediu desculpas e assumiu que durante a brincadeira acertou uma pedrada no garoto.Vizinhos e amigos, os pais das duas crianças consideraram o incidente resolvido. Mas, segundo Edvaldo, o sargento Joval Ribeiro Araújo Filho, que comandava a "operação", foi "irredutível" e solicitou reforço para que ele e a filha fossem levados para a delegacia.T.J.C. foi encaminhado para o Pronto-Socorro de Venda Nova, onde permaneceu em observação por cerca de seis horas.Revoltado com o fato, o auxiliar administrativo pretende acionar judicialmente o sargento por abuso de autoridade, humilhação e danos morais. "Estou esperando meu advogado, que está em São Paulo. Ele não pode ficar impune."ProcedimentoJoval não foi encontrado nesta quinta para falar sobre o assunto. O major Alex Augusto de Souza, subcomandante do 13º Batalhão, disse que foi aberto um procedimento administrativo para apurar possível abuso de autoridade. Os policiais envolvidos poderão sofrer sanções administrativas e até criminais. A apuração será repassada ao Ministério Público Estadual (MPE), que poderá oferecer denúncia. "Há indícios de infração", disse Souza.O major observou que a ocorrência contrariou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e que o caso deveria ser levado ao Conselho Tutelar, que não funciona nos finais de semana. Segundo Souza, o fato merecia registro policial, mas a criança em hipótese alguma poderia ser encaminhada para a delegacia. "Infelizmente, nesse caso, houve um equívoco. Fugiu à regra a condução para a delegacia."O episódio gerou críticas também da Promotoria de Infância e Juventude da capital mineira e da Divisão de Orientação e Proteção à Criança e ao Adolescente (Dopcad) da Polícia Civil.Matéria ampliada às 17h52

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